2021 o ano do recomeço

Sem dúvida alguma o ano de 2020 foi um dos mais complexos na história recente e ficará marcado pela pandemia e mudanças nos processos globais.

A insatisfação, a polarização política e a instabilidade econômica ditaram as pautas do ano anterior, e o confinamento ora elogiado ora criticado, levou a humanidade a um ponto de reflexão, onde o clamor por mudanças ficou evidente.

O negacionismo e o revisionismo histórico formaram o lado mais escuro de um ano sentenciado por um vírus que atacou a toda humanidade, em todos os continentes, chegando até mesmo na Antártida. 85 milhões de pessoas foram infectadas conforme dados da Organização Mundial da Saúde com aproximadamente dois milhões de óbitos.

Embora a pandemia persista, um esforço mundial na investigação e produção de vacinas obtiveram seus frutos, trazendo uma nova luz e esperanças para a humanidade até então paralisada. Certo é que os reflexos dos processos sociais e políticos estão presentes nos índices de confiança em relação as vacinas, e a falta de conhecimento generalizada em relação aos avanços feitos na área de pesquisa científica e clínica das últimas décadas geram dúvidas que são politizadas por pessoas inescrupulosas, dando eco a um movimento antivacina contraproducente quando comparado com os benefícios das vacinas ao longo da história. Realizar paralelismos tais como o tempo de pesquisa de outras vacinas no século passado sem levar em consideração os avanços da ciência, é ignorar o fato de que grande parte das invenções tecnológicas são recentes e que o tempo que o ser humano levou em desenvolver tecnologias tais como a telefonia, ou o tempo que levamos como espécie a projetar aviões, não se pode comparar com o avanço das gerações tecnológicas dos últimos 50 anos…

Mas assim como a terra é redonda e achatada nos polos, com seus movimentos de rotação e translação, a mesma irrefutavelmente completou outra volta ao redor de sua estrela dando início a um novo ciclo ou novo ano.

2021 é o início de uma nova década, de um novo recomeço astronômico e de outros diversos aspectos.

A vacinação deve promover um maior controle da epidemia e permitir a retomada das atividades produtivas, sociais e econômicas. Assim mesmo novas lideranças como a eleição de Joe Biden devem influenciar os alinhamentos geopolíticos e os discursos realizados na esfera internacional.

A União Europeia, agora desfigurada pela cicatriz do Brexit, deve buscar uma restruturação e fortalecimento e a China avançar progressivamente para a liderança econômica global.

A África após criar uma área de livre comércio deve atrair a atenção dos fluxos financeiros e os países do sudeste asiático seguem em sua silenciosa marcha em direção ao crescimento econômico. Por outro lado, a América Latina que já foi a “favorita” dos investimentos estrangeiros deve seguir como palco de tensões políticas e sociais, como peões em um jogo de xadrez que defendem peças maiores.

Certo é que os efeitos da pandemia devem surgir com força e muitas vezes servir de base para discursos mais extremistas e conservadores, e a busca por resolver as mazelas deixadas pelo vírus deve produzir embates sociais e políticos até então nunca vistos, pois uma vez curada a doença será necessário pagar o “tratamento”, sendo este muito mais amplo que a própria vacina, pois o desemprego, as perdas financeiras e reconfiguração das cargas tributárias, dívidas públicas e privadas, devem ser discutidas ao longo do ano e pactadas com a sociedade polarizada na última década.

A capacidade humana de discutir seu próprio destino e promover o diálogo político, será colocada à prova em todas as nações do planeta, havendo a possibilidade de desconfiguração de diversos pactos sociais.

Mas com o empenho e a determinação característicos de uma espécie resiliente como a humana, esperamos que esta seja capaz de superar este desafio e de veras promover um verdadeiro recomeço sem ter antes que passar por uma nova Idade das Trevas.

O CERES – Centro de Estudos das Relações Internacionais assim como seus parceiros pretende contribuir com esse renascimento, promovendo sempre o conhecimento, democratizando as Relações Internacionais e fomentando sempre uma visão crítica, porém construtiva da realidade, pois o mundo é construído pelas diversas visões existentes e o respeito e o diálogo é a base para que possam juntas percorrer o caminho do desenvolvimento e meio a diversidade dos povos e das pessoas.

Wesley S.T Guerra

Atuou como consultor internacional na área de Paradiplomacia para o Escritório Exterior de Comercio e Investimentos do Governo da Catalunha. Formado em Negociações e Marketing Internacional pelo Centro de Promoção Econômica de Barcelona, Bacharel em Administração pela Universidade Católica de Brasília, Especialista pós-graduado em Ciências Políticas e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP, MBA em Novas Parcerias Globais pelo Instituto Latino-americano para o Desenvolvimento da Educação, Ciência e Cultura, MBA em Marketing Internacional pelo Massachusetts Business Institute e Mestrado em Políticas Sociais em Migrações na Universidad de La Coruña (España). Fundador do thinktank CERES – Centro de Estudos das Relações Internacionais. Especialista em paradiplomacia, acordos de cooperação e transferência acadêmica e tecnológica, smartcities e desenvolvimento econômico e social. Membro do Smartcities Council, IAPSS International Association for Political Sciences Students, Aliança Europa-Latina para Cidades e ECPR European Consortium for Political Research. Morou na Espanha, Itália, França e Suíça. Atualmente cursando doutorado na Espanha na área de Relações Internacionais. Atual colaborador do IGADI, CEIRI e REDEss.

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