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2022… A nova normalidade… os velhos desafios...

O ano de 2021 ficou marcado na história pela maior distribuição em massa de vacinas ao longo de todo o planeta, dezenas de nações realizaram uma intensa campanha mobilizando diferentes recursos e setores na luta contra o vírus, com o objetivo de colocar fim a pandemia ou ao menos diminuir o número de óbitos. Porém a nova variante Ômicron se expandiu rapidamente provocando uma sexta onda com um número recorde de infectados em diversos países.


Embora usado como pauta de discurso por grupo negacionistas e antivacinas, o avanço da Ômicron não significa o fracasso das vacinas, mas o sucesso delas em diminuir o número de óbitos e casos graves. Sem as vacinas os números da tragédia seriam maiores e 2021 seria lembrado por outros motivos.


A pandemia continuou como protagonista no cenário internacional ocultado ou relevando outros acontecimentos, alguns deles tão importantes e decisivos para o ano de 2022 que somente agora percebemos.


A ascensão das tensões entre a OTAN e a Rússia na Ucrânia são um exemplo disso, além da mudança política registrada em diversos países de América Latina rumo a governos menos conservadores e a novas alianças políticas.


Na Europa e grande parte do sistema internacional, houve uma visível recuperação do PIB, provocada principalmente pelo alívio causado pela vacinação e o incremento do consumo. Sem embargo a pressão Russa coloca em xeque a região assim como os impactos da 6ª onda.


O surgimento da variante Ômicron adiou um processo de recuperação em grande escala e a retomada das atividades globais e por sua vez, manifestou a ingente desigualdade já existente, porém exacerbada pelo vírus entre países ricos e pobres.


Com mais de 93% da população vacinada e em pleno processo de reforço da vacinação, algumas nações como a Espanha, pouco a pouco diminuem as restrições e prepara um plano para enfrentar ao covid19 semelhante a gripe, uma realidade ainda longe de outras nações, algumas delas ao outro lado do Mediterrâneo.


A imunidade de grupo, dividiu o mundo em países “vacinados”, “Em processo de vacinação” e “incapazes de vacinar”, porém, embora exista um discurso de cooperação global, são poucos os projetos que de fato são destinados a essa parcela da humanidade marginalizada da imunização.


Com a consolidação de um horizonte frente a Covid19, novos temas ressurgem no cenário global, sendo sem dúvidas a crise da Ucrânia o de maior relevância, apesar dos diversos golpes de estado registrado em nações africanas.


O mundo olha com receio o atrito entre dois grandes titãs da segurança internacional, e velhos fantasmas surgidos durante a Guerra Fria voltam a ganhar força. Porém são diversos os fatores que pesam na mesa, tais como o desempenho até o momento tênue da nova gestão dos Estados Unidos, uma Europa pós Merkel e diversos processos eleitorais em importantes players regionais tais como o Brasil.


No Brasil a gestão Bolsonaro chega ao seu fim, sem grandes sucessos econômicos, mas bem com uma coletânea de escândalos, recessão em vários setores, enfraquecimento da indústria nacional, crescente inflação, perda contínua de direitos sociais e moeda desvalorizada, além de um crescente fluxo migratório, que coloca em perigo o futuro da nação.


A China, tão duramente criticada e atacada durante a última gestão, continua sendo o maior parceiro comercial do país, mas parece haver perdido o interesse inicial e diversificou seus sócios na região.


Na América do Sul, vemos o exemplo claro do fracasso de dois países politicamente diferentes, mas com mazelas semelhantes... Por um lado, vemos a um derrotado líder regional que optou pela direita de Bolsonaro... e por outro, vemos o resultado dos devaneios de esquerda da Venezuela.


Talvez a maior lição que nos ensine o ano de 2022 é que o mundo não espera e nem vai esperar pelo Brasil e que independente do víeis partidário, o país será cada vez mais cobrado devido a seu papel na agenda global de meio ambiente e que sem um Estado de Direito consolidado, continuará sendo uma marionete do sistema internacional, que de momento mais preza pela recuperação econômica e pelas tensões bélicas que o maior problema de todos que é o desequilíbrio ambiental do planeta.


Inundações, incêndios, erupções vulcânicas só ganham o interesse mundial quando ocorrem nos países líderes, sendo rapidamente esquecidas quando os efeitos são localizados ou em nações menos desenvolvidas... normalizamos os incêndios na Amazonia, as mortes nas inundações do Brasil e da Índia.... Como se as grandes nações estivessem dando um passeio...


Porém as cobranças chegam e sem um país organizado... ganha quem tem mais influência...

A única forma de mudar isso é mediante o conhecimento e o CERES – Centro de Estudos das Relações Internacionais continuará fazendo sua parte para democratizar o mesmo.

Vamos juntos!



Wesley Sá Teles Guerra, brasileiro, residente em Ourense (Galicia), PHd Candidate em Sociologia e Mudanças da Sociedade Contemporânea, Mestre em Políticas Sociais e Migrações, Mestre em Gestão e Planejamento de Cidades Inteligentes, Pós-graduado em Relações Internacionais e Ciências Políticas, autor do livro Cadernos de Paradiplomacia e do estudo Brasil Galicia. Membro associado do IGADI – Instituto Galego da Análise e Documentação Internacional, do OGALUS – Observatório Galego da Lusofonia e da Associação Impulsora da Casa da Lusofonia. Fundador do Think tank CERES – Centro de Estudos das Relações Internacionais do Brasil. web: www.wesleysateles.com



Bibliografia:



Bellamy, C., & Taylor, J. A. (1998). Governing in the information age. Buckingham: Open University Press.


Traine, Martin (2004), “Neopopulismo. El estilo político de la pop-modernidad”. En: Revista Diálogo Político N°2, 2004. Fundación Konrad Adenauer, Buenos Aires


William Makepeace Thackeray – A Feira das Vaidades o palco da nossa vida. Editora: Wordworth Classics. Londres, 2019.


Guy Debord. A sociedade do espetáculo. Editora Contraponto. São Paulo, 2007.


Joseph Goebles, Peter Logerish. Umberto Eco. Editora Casa del Libro. Madrid, 2005. Editora Objetiva, São Paulo, 2014

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