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Ação Internacional dos Parques Tecnológicos

Com a globalização e o surgimento de novos atores no cenário internacional houve uma dispersão das atividades e uma série de mudanças no relacionamento entre as organizações. Embora algumas áreas apresente maior grau de desenvolvimento, tais como a diplomacia empresarial e a paradiplomacia, novas formas de interações estão surgindo no panorama mundial devido e a descentralização dos estados e ao engessamento cada vez maior da diplomacia oficial.

Neste contexto surgem novos movimentos tais como a diplomacia acadêmica e tecnológica, assim como fórmulas antigas ganham um novo formato tais como a diplomacia religiosa sob a tutela do Papa Francisco ou a diplomacia médica.

A tecnologia tem sido uma ferramenta importante na disseminação das atividades internacionais e na capacidade das organizações de diferentes formatos em sua interação com homólogos e parceiros de outras nações, reduzindo o grau de burocracia, agilizando os processos de transferência e consequentemente incrementando os resultados.

A Revolução 4.0 surge nesse processo como propulsor do incremento dessas atividades ao ampliar a convergência entre o mundo físico e o mundo virtual (que carece de fronteiras e cuja legislação ainda é tímida) promovendo uma maior aproximação dos centros de pesquisa, tais como os parques tecnológicos.

Os parques tecnológicos são aglutinadores das atividades de pesquisa e inovação, além de importantes polos de geração de emprego e tecnologia, motivos estes que explicam sua crescente atividade no âmbito internacional fomentada pela Revolução 4.0 e por sua capacidade de induzir mudanças locais atuando como indutores do desenvolvimento e cooperação.

Países como França, Estados Unidos e Espanha, já possuem parques tecnológicos integrados que fazem sua própria promoção e negociação internacional. Entre as diversas vantagens que apresentam tais atividades podemos destacar a capacidade de atração de investimentos, maior mobilidade de pesquisadores, incentivos ao empreendedorismo e maior capilaridade na comunidade local assim como uma plataforma mais sólida para a obtenção de apoios internacionais e subsídios.

Uma forma de explicar a diplomacia realizada pelos parques tecnológicos é usar como exemplo o grupo Eurecat (https://eurecat.org/es/) da Catalunha – Espanha, que está formado pelos principais centros de pesquisa da região além da participação de empresas de diferentes origens e portes, e incubadoras, atuando de forma integrada e conjunta em seus relacionamentos.

Dessa forma, uma pequena startup pode se aproveitar das ações realizadas pelo parque tecnológico ou se apresentar a programas de financiamento e subsídios da União Europeia usando o próprio parque como referência. Grandes multinacionais podem usufruir dos resultados das pesquisas locais, Centros Universitários podem desenvolver novos serviços, Empreendedores podem buscar orientações e internacionalizar seus projetos, etc…

Assim mesmo a ação do parque servirá como forma de promover o nível tecnológico da região sem se concentrar em uma organização específica, estabelecendo uma relação de win to win.

No caso do Brasil, a pesquisa e inovação foram historicamente concentradas nas instituições públicas em sua maioria de âmbito federal, sem embargo, a crescente descentralização do país e o aumento da demanda nacional assim como os efeitos da globalização e da Revolução 4.0 estão permitindo uma maior movimentação e criação de novos parques tecnológicos que atuam tanto como vetor de crescimento econômico em suas regiões, como também catalizador de cooperação e transferência internacional sem a interferência direta do governo central.

A vantagem de promover a internacionalização dos parques tecnológicos e aumentar a sua participação internacional é a de incrementar a competitividade da cidade ou região através de uma participação tanto a nível local como global, sendo sem dúvidas algo viável e adaptável à realidade de cada município e que deve concentrar tanto a iniciativa pública quanto a privada gerando um espaço de cooperação e colaboração.

Wesley S.T Guerra


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Membro da Associação Internacional de Estudantes de Ciências Políticas da IAPSS, do Conselho de Smartcities, da Aliança Eurolatina para Cooperação de Cidades, da Rede Bee Smartcities e do ECPR Consorcio Europeu para a Investigação Política.

Fundador do Think Tank CERES (Centro de Estudos de Relações Internacionais).

Bibliografia:

KEISER, Robert., Subnational Governments as Actors in International Relations: Federal Reforms and Regional Mobilization in Germany and the United States, Stuttgart, 2000.

SASSEN. Saskia. The Global City: Strategic site, New Frontier. Managing Urban Futures, 2016.

S.T Guerra, Wesley. O Papel da paradiplomacia na internacionalização de Empresas. CEIRI. https://ceiri.news/o-papel-da-paradiplomacia-na-internacionalizacao-de-empresas/

S.T Guerra, Wesley. Paradiplomacia, um vetor de desenvolvimento econômico. Cidadão do Mundo. https://cidadaosdomundosite.wordpress.com/2016/05/04/paradiplomacia-um-vetor-de-desenvolvimento-economico-por-wesley-s-t-guerra/

S.T Guerra, Wesley. Smartcities. Cidades Globais no declínio dos autores internacionais. CEIRI. https://ceiri.news/das-smartcities-cidades-globais-no-declinio-dos-atores-internacionais/

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