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A Ascensão da África

Dos treze países que mais vão crescer até 2017, segundo o Banco Mundial, quase metade deles (seis dos treze) se encontram na África Subsaariana, incluindo o com as maiores taxas crescimento nos últimos anos, a Etiópia. Estes países africanos conseguem atingir níveis de crescimento similares aos Chineses nas décadas passadas, mesmo em um cenário de baixo preço de commodities, e retração econômica mundial.

Um dos argumentos para este grande crescimento é o fato de que eles eram muito subdesenvolvidos, de forma que havia muita margem para crescer economicamente. Isso de fato é verdade, mas se fosse somente isso, porque eles não vinham crescendo a altas taxas anteriormente? Por que outros países subdesenvolvidos, como os da Ásia, não crescem tanto?

O que os governantes dos países do continente do outro lado Atlântico fizeram, é algo que nós aqui no Brasil falamos em fazer desde a queda da Ditadura Militar, mas pouco fizemos: reformas estruturais. Segundo o relatório do Banco Mundial do final de 2014 , 74% das economias da Africa Subsaariana realizaram reformas reguladoras no ambiente de negócios, fazendo da região  a que mais passou por reformas no biênio 2013/14. Sendo que cinco, dos dez países que mais fizeram reformas no mundo se encontram lá.

Além disso, desde 2005, todos os países da região fizeram mudanças para criar um ambiente propício para o negócio de pequenas e médias empresas, sendo que Ruanda é o país que mais fez reformas neste sentido; além de Congo e Costa do Marfim, que foram as nações que mais fizeram mudanças nos últimos dois anos. Os três estão entre os treze países que mais vão crescer nos próximos anos segundo o Banco Mundial.

É interessante de se ver que no atual momento, que todos os países africanos que se encontram nesta lista passaram ou estão passando por reformas, e se pegarmos o continente como um todo, quase todos países da África Subsaariana estão passando ou a caminho de iniciar algum de reforma.

Angola, por exemplo está passando por uma reforma tributária, Moçambique por uma reforma no setor público, a Tanzânia está prestes a passar por uma reforma Legal/Constitucional, e estes são somente alguns exemplos.

Todas essas reestruturações propiciaram um ambiente extremamente favorável para o desenvolvimento econômico do continente na última década. Crescendo a taxas reais entre 5% a 10% ao ano pelos últimos dez anos, a África vem cada vez mais atraindo o capital estrangeiro, sendo foi o segundo continente a mais atrair investimentos em 2014.

A tendência é que o sucesso de um estado-nação em suas reformas, estimule os outros a seguirem o mesmo caminho (obviamente que dentro das necessidades e contexto de cada um), estimulando o crescimento econômico do continente como um todo, de modo que é provável que sempre haja um grande número de países africanos presentes na listagem do Banco Mundial sobre os países que mais crescem no mundo.

Dessa maneira, mesmo que um país tenha uma queda em seu crescimento, vai haver muitos outros para entrar em seu lugar na lista dos que mais crescem.

Um dos que pode vir a figurar nesta lista em um futuro mais próximo é a Nigéria, maior economia e população do continente, e apesar da grande importância da exportação de gás e petróleo em sua economia, foi considerada pelo Citigroup o país que vai ter a maior média de crescimento do PIB entre 2010 e 2050. Apesar de seu crescimento ter declinado dos 7% na última década para o atual 6,3%, o crescimento no setor de serviços vem puxando a economia do país, que tende a voltar a deslanchar assim que resolver seus problemas internos (terrorismo do Boko Haram).

Angola também desponta como um dos possíveis membros desse grupo dos mais que crescem. Ele já é o quarto país em volume de capital estrangeiro investido (perde para África do Sul, Nigéria e Quênia). Apesar de também sofrer uma grande dependência do petróleo em sua economia, ela vem fazendo uma reforma tributária, que vai impactar diretamente no aumento do crescimento econômico do país e seu desenvolvimento.

O Quênia é outro que tem grande possibilidades de aparecer neste grupo no futuro, ele é alvo des grandes investimentos de capital estrangeiro, e tem para os próximos anos projeção de crescimento acima de 6%.

Junto com a Namíbia, Angola e Nigéria são os países Africanos que mais crescem em relação a riqueza per capita (weath per capita), considerando-se o período de 2000-2013. Angola cresceu 527%, a Namíbia 289% e a Nigéria cresce 257%, segundo a Ventures Africa.

Pelo ranqueamento de crescimento do PIB entre 2000-2012 do Banco Mundial, Angola foi o país de maior crescimento, com um recorde de 737% de crescimento. Gana veio em segundo com 506% e a Niéria em quarto com 316% de crescimento.

Todo esse crescimento que vem ocorrendo desde a virada do século fez com que o continente africano tenha o maior crescimento de classe média do planeta, com cerca de 300 milhões de pessoas atingindo esta faixa de renda.

As boas práticas econômicas, a abundância de recursos naturais e o grande mercado de consumo a ser explorado (nos próximos 40 anos haverá mais de um bilhão de africanos disponíveis como força de trabalho) vem atraindo a entrada de capital estrangeiro interessados em explorar estas oportunidades.

Porém, ainda existe muito o que ser percorrido para que os países do continente negro consigam ingressar no mercado internacional com força total. A instabilidade política, atrelada à má gestão e à corrupção, prejudica o crescimento de diversos países, sem contar os conflitos armados que ainda afligem certas regiões. Também há a necessidade de investimentos maciços em infraestrutura e educação, para fazer com que o continente consiga se desenvolver aproveitando toda a abundância de matéria-prima que possui.

Se nós estamos vendo no momento a mudança do eixo de poder mundial do Atlântico para o Pacífico, com a ascensão da Ásia como grande força econômica do período, é bem capaz que vejamos uma mudança em direção ao Índico a partir da segunda metade do século XXI.

Imagem: African Openbill, Anastomus lamelligeru By: Derek Keats

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