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A estratégia da propaganda russa na guerra na Ucrânia

Atualizado: 26 de set. de 2023

*artigo em português do Moçambique.


Antes de olharmos para propaganda russa, é importante estabelecermos as representações intelectuais da ideia da propaganda que é um instrumento de política, potencialmente disponível para qualquer actor que tenha progresso técnico os meios de a promover e disseminar. Traduz a tentativa deliberada de persuadir as pessoas, de forma individual ou em grupo, a aceitar uma definição particular da situação manipulando factores não-racionais seleccionados na sua personalidade ou ambiente social, sendo o efeito daí resultante uma tentativa de mudar e moldar o seu comportamento numa direcção desejada. Propaganda é, então, informação disseminada numa tentativa deliberada de formar opiniões e, possivelmente, estimular acção política. Ideias, factos ou alegações são difundidas para apoiar uma causa ou denegrir uma causa oponente. A propaganda é comunicação como manipulação. A tecnologia tem sido de grande assistência ao propagandista. O desenvolvimento dos meios de comunicação social permitiu o maior alcance da propaganda, abrangendo um maior número de populações. A propaganda será mais efectiva se o propagandista for a principal fonte de informação, e se a população a quem se dirige partilha, pelo menos em parte, das actitudes do propagandista. O uso intensivo de propaganda pela primeira vez foi verifivada na Alemanha de Hitler que tornou-se um exemplo do modo encontrado para glorificar uma nação e raça superiores e retractar Adolf Hitler como salvador messiânico.


A propaganda da guerra


A Primeira Guerra Mundial (1914-1918) constitui uma metanoia para a propaganga de guerra, pois foi nesse contexto que, pela primeira vez, as nações fizeram uso intensivo da propaganda em contexto da guerra, essa ferramenta mostrou-se uma verdadeira arma de combate. A propaganda trazia em seu discurso as características e elementos necessários a preparar não só a predisposição da sociedade para aceitar a inevitabilidade da guerra, como também para incorporar toda demanda de sacrifícios exigidos pelos esforços de guerra. O conceito remonta à Revolução Francesa, ao final do século XVIII e, embora não dessem conta imediatamente, muitas perceberam em sua história uma mobilização coordenada de actitudes e recursos, não só industriais mas também humanos, que ficaria conhecido posteriormente como esforço de guerra, conceito apreveitado e aprimorado por nações como Estados Unidos, Rússia e Reino Unido e particularmente perceptível durante as Grandes Guerras Mundiais.


Através das mensagens contidas nas propagandas de guerra e no caso aqui abordado, dos pôsteres de propaganda, sociedades inteiras eram mobilizadas e guiadas em direcção aos esforços de guerra que, possivelmente, levariam à vitória. Buscando promover o ímpeto patriótico da sociedade, os veículos governamentais e privados, que tinham por finalidade a produção dessa propaganda durante anos de conflito, chamaram a atenção em direcção aos sacrifícios e esforços individuais com mensagens directas e bastante explícitas que instruíram a população sobre como deveriam se portar numa situação de guerra. Dentre esses diretrizes encontram-se aqueles nas quais reconhecemos certos elementos dos sistemas de exclusão e controle.


A eficácia da propaganda russa


Enquanto o Ocidente considera a guerra na Ucrânia uma agressão imperial da Rússia. Na Rússia, alguns cidadãos ousaram partilhar abertamente a mesma visão, nos primeiros meses de guerra registaram-se protestos, rapidamente abafados pelo regime hodierno da Rússia.

A propaganda actual russa actual é muito diferente da propaganda soviética. Embora recorra a muitos componentes tradicionais, a abordagem técnica é bastante diferente, o que torna difícil contrariar a propaganda actual mesmo estando imune à propaganda soviética. A propaganda moderna na Rússia é, em muitas formas, mais eficaz do que a da era soviética. Entre outras coisas, tem em linha de conta que as pessoas podem obter informação apartir de várias fontes, e tenta apresentar uma imagem que não beneficia necessariamente as autoridades, mas aquela que os cidadãos gostariam de ver.


Vale dizer que muitos russos é possível que não estejam de acordo com a narrativa do Kremlin, mas que tenham medo de expressar as suas opiniões por recearem uma retaliação. Ademais, não é só o medo que fomenta este silêncio. Ainda durante o regime soviético e depois com a chamada democracia dos anos 90 muitos russos tornaram-se apolíticos. Além de se distanciarem dos governos, decidiram viver numa espécie de realidade paralela às dos governos, portanto, a guerra enquanto não os afectar a si nem às suas familias, não-lhes diz respeito.


Conclusão


A propaganda é considerada crítica para o sucesso dos esforços da guerra, contudo, dá suporte ao governo no trabalho de preparar a população civil e militar para o combate que ocorreria fora dos campos de batalha. Importa referir que durante os conflitos, a propaganda de guerra é usada em sua plenitude enquanto ferramenta ideológica. As campanhas de propaganda de guerra tem assumido propostas comunicativas diversificadas, contudo, tem em comum o facto de trabalharem o emocional de sua audiência, e assim, conseguem seus objectivos. No inicio da invasão à Ucrânia, a Rússia tinha cometido um erra de não promover uma narrativa que sustentasse sua posição de possiveis razões do ataque ao território vizinho, contudo depois mudou da estratégia o que lhe permitiu granjear simpatias de vários Estados, pois passaram a perceber a lógica da guerra russo Ucraniana. Portanto a propaganda da guerra e guerra de narrativa tornaram-se condições sine quanon.



JaimeAntónioSaia, Licenciado em Relações Internacionais e diplomacia pela Universidade Joaquim Chissano (Maputo,Moçambique) Mestrando em Resolução de Conflictos e Mediação. Analista da política internacional na TVM (Televisão de Moçambique), SoicoTV(Stv), na MédiaMaisTV, FTV, pesquisador do Centro de Estudos das Relações Internacionais (CERES), palestrante em áreas sociais e políticas em Moçambique. Com ampla experiência em gestão de empresas.


Bibliografia

Rooser, Andrew (2006) The Political of War. IDS.UK

Selemane, Tomás (2009) Alguns desafios da propaganda. 1ªed. Best Sella. São Paulo.

Sousa, Fernando (2005) Dicionário de Relações Internacionais. Edições Afrontamento.

Itiem (2011) Preparação e Reconciliação dos Estados. Acra

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