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Caribe e as ilhas do Imperialismo

Formada por pequenas nações costeiras e centenas de ilhas e ilhotes, a região do Caribe foi o ponto de partida para a conquista do continente e centro das principais rotas comerciais durante a colonização da América.

A região foi testemunha da disputa entre as principais nações que chegavam da Europa, do quase total extermínio da população autóctone e sua substituição pela população escrava, do nascimento de uma nobreza local e posteriormente da luta pela independência e o surgimento de uma nova ordem mundial.

Embora pequeno em comparação ao resto do continente, o Caribe reúne em suas ilhas a história da América. Desde a colonização as tensões da Guerra Fria, refletindo as contínuas mudanças na balança de poder do continente e do mundo.

Atualmente a região conta com 13 estados soberanos muitos deles desconhecidos até mesmo para o resto da população continental, sendo o turismo e os serviços suas principais fontes de renda, embora não por esse motivo, exista uma homogeneidade na área.

De fato, a desigualdade parece ser uma marca presente no Caribe, a Ilha da Espanhola talvez seja o melhor exemplo, pois no mesmo território, Haiti e República Dominicana apresentam duas caras de uma moeda, sendo do lado oeste da ilha o Haiti – país mais desigual e pobre do continente – e do lado leste a República Dominicana – uma das maiores potências turísticas da América e do mundo.  Outro exemplo dessa heterogeneidade continua sendo visível na ilha de Cuba, onde o regime comunista convive com uma pequena parcela do seu território ocupado pela base de Guantánamo dos Estados Unidos.

Embora existam movimentos de integração na região e acordos internacionais para promover uma maior homogeneidade na área, a diversidade e conflito de interesses dos atores implicados dificultam o processo. Entre as principais instituições cabe destacar:

  1. Comunidade do Caribe(CARICOM), sede em Guiana

  2. Associação de Estados do Caribe(AEC), Trinidade e Tobago

  3. Organização de Estados do Caribe Oriental(OECS), Santa Luzía

  4. Banco de Desenvolvimento do Caribe(CDB), Barbados

  5. Agência de Resposta de Emergência de Desastres das Caraíbas (CDERA), Barbados

  6. Conselho de Exames Caribe (CXC), Barbados e Jamaica

  7. Programa para a Competitividade Econômica do Caribe (CPEC), Santa Luzía

  8. Organização de Turismo do Caribe (CTO), Barbados

  9. Conselho Econômico Interamericano (IAEC), Washington, D.C.

  10. Registro de Endereçamento da Internet para América Latina e Caribe (LACNIC), Brasil e UruguaI

  11. Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (CEPAL), Chile e Trinidade e Tobago

Alguns fatores podem explicar a diversidade do Caribe, tal como a evolução histórica e os reflexos de sua localização geográfica estratégica, que transformou a região numa espécie de tabuleiro de xadrez.

Também é importante levar em consideração que nações insulares dificilmente possuem total infraestrutura para garantir sua autonomia ou sua sobrevivência no cenário mundial.

Motivos que em parte explicam a existência de 17 territórios dependentes ou que pertencem a outras nações, sendo uma marca do antigo imperialismo na região e um reflexo da diversidade de interesses que pairam sobre o Caribe e suas águas.

França, Reino Unido e Holanda, são as nações da Europa que possuem territórios no Caribe com diferentes graus de autonomia assim como os Estados Unidos também possui territórios ligados a ele.

A existência desses territórios se justifica também pelo interesse das grandes nações que utilizam a região como pólo de concentração de capital, se evadindo do sistema bancário internacional, mediante a utilização de pequenos paraísos fiscais tais como as Ilhas Cayman ou as Ilhas Virgens, gerando dessa forma dois grupos bem diferenciados no Caribe, um formado pelas nações independentes e outro formado pelos territórios dependentes que em sua grande maioria são ilhas paradisíacas cuja sombra ao sol nos remete os interesses sempre oculto das grandes nações, restando aos demais países, principalmente aos emergentes, a necessidade de aumentar suas negociações com os países independentes da área e dessa forma defender seus interesses no tabuleiro e se manter no jogo.

Referências Bibliográficas:

Kurlansky, Mark. 1992. A Continent of Islands: Searching for the Caribbean Destiny. Addison-Wesley Publishingde

Kadt, Emanuel, (editor). Patterns of foreign influence in the Caribbean, Oxford University Press, 1972.

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