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Demagogia e apologia: a construção do discurso de ódio

A história revela a enorme dificuldade de aprendizagem da humanidade, basta avaliar os períodos de evolução científica e os episódios de recessão. A cada certo tempo a humanidade volta a dar alguns passos atrás… sendo esse movimento refletido nas evoluções das sociedades, nos ciclos produtivos e nos ciclos do capital ou nos eventos históricos. “A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa” dizia Karl Marx em sua obra, e vemos no nosso dia a dia como aos poucos os processos sociais e políticos convergem em um ponto de cisão onde ou avançamos ou voltamos atrás…

Os paradigmas do sistema internacional, da política e da economia, sem dúvidas foram sempre uma fonte de conhecimentos onde o diálogo entre pontos divergentes construíam conhecimentos e se retroalimentavam com argumentos advindos do avanço do saber. Porém quando existe uma quebra neste paradigma, o diálogo dá lugar a discussão, não havendo argumentação por detrás do exposto, mas sim questões passionais, achismo e a indiferença para com o interlocutor, onde o Argumentum ad hominem, ou seja, o ataque direto a pessoa do interlocutor e não ao seu argumento, se transforma na maior arma, e a metodologia científica perde espaço para o sentimentalismo e o achismo nos discursos (Jhon Locke 1688).

E nesse contexto quando

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E nessa polarização passional, o mundo vai se dividindo de forma dualista, onde o conservador se transforma no porto seguro para muitos, embora não porque exista de fato um projeto de restauração, mas sim uma promessa de uma volta à um passado idealizado. E o inovador passa a ser visto como ameaça ou uma aposta incerta.

Nesse contexto é quando a roda da história parece voltar atrás e a humanidade demostra sua incapacidade de aprender de forma continua.  É nesse momento quando discursos demagógicos ganham força e personagens que atacam deliberadamente setores da população aumentam em popularidade; quando apologias sobre barbaridades do passado são aplaudidas pelos próprios descendentes da eugenia de outros regimes autoritários…. Ou quando pessoas que ocupam um cargo de relevância criticam o presente esquecendo o passado ou simplesmente rescrevendo a história a seu bel prazer…. Pois seus discursos não são construídos com argumentos sólidos, mas são o reflexo de suas paixões, de sua falta de visão, movidos pela demagogia de seus atos e por apologias aos erros do passado como aposta para um futuro que não conseguem decifrar….

A terceira revolução industrial parecia que iria mudar esse ciclo vicioso. Com ao avanço das telecomunicações e do transporte, a humanidade finalmente estaria mais conectada e com advento da quarta revolução teríamos a capacidade de mudar os paradoxos aos quais nos enfrentamos sem ter que voltar atrás, mas sim caminhar para um novo futuro, modificando os falhos do sistema econômico e produtivo, aumentando a participação da população, reduzindo barreiras, buscando novas fontes de energias mais limpas, promovendo a sustentabilidade…. Contamos com os meios…. Porém temos medo a mudar (Umberto Ecco 2013).

E grande parte da população abraça ao conservador que melhor poderia ser nomeado de retrogrado, pois suas promessas não são as de avançar para o futuro ou conservar o bem estar mas voltar ao passado, sendo contraditória essa opção por voltar atrás para avançar…

As muitas eras explicadas por Eric Hobsbawn apresentam sua mais nova irmã…. Uma era de demagogia e de apologias…. Onde os líderes pouco se preocupam em solidificar seus argumentos com o conhecimento da realidade, mas inflamam seus discursos com suas paixões ideológicas… E seja o líder de uma potência mundial ou o prefeito de uma cidade… todos parecem esquecer que quando assumem seu cargo já não representam apenas a parcela da população que nele votou, mas ao conjunto de toda população e que cabe a eles promover o discurso entre todos.

Vivemos na Era do Discurso… não aquele construtivista, mas aquele fundamentalista que move metade da população um dia para apoiar uma causa e outra metade no outro dia para protestar contra a mesma causa… pois o discurso que paira não é o do diálogo, mas o do ódio… odiar tudo o que é diferente, tudo o que novo, tudo o que compele a uma mudança… E com isso voltamos a ver como normal…. A apologia ao autoritarismo, a apologia a eugenia e ao genocídio de minorias, a criação de campos de concentração, as ameaças internacionais, a redução de direitos sociais, a exclusão dos mais necessitados, atacar outras culturas ou religiões… como algo normal… ao final no passado isso era normal… só nos esquecemos de nos perguntar… Era bom?

Bibliografia:

Eric Hobsbawm – As Eras: A era das revoluções, A era dos Impérios, a Era do capital – Coleção 2015

Umberto Ecco – Em quem crêem ou não crêem?

Jhon Locke – Ensaio sobre o entendimento humano.

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