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Macau, o português e a China

Atualizado: 26 de set. de 2023

Macau é uma das regiões administrativas especiais da República Popular da China desde 20 de dezembro de 1999. Antes deste período Macau foi uma colônia portuguesa por mais de 400 anos. Foi o primeiro entreposto comercial europeu na Asia e o último a se desfazer.


Sua organização sociocultural foi formada por três principais grupos: os chineses (que maioria absoluta) os portugueses e os macaenses (descendentes da miscigenação de portugueses e mulheres asiáticas, só tardiamente chinesas).


Muito se fala sobre Macau ser o território chinês que se fala o português. Será mesmo que em Macau se fala o idioma de Machado de Assis, de Fernando Pessoa, de José Saramago, de Maria Firmina de Jesus, dentre outros?


O português é sim uma das línguas oficiais de Macau, seguida do chinês. A administração da cidade é oficialmente bilingue e todos os sinais e placas públicas são grafados em cantonês e português. 94% da população fala o cantonês, outros 2% a língua portuguesa16.


Mesmo com a presença dos portugueses, o ensino e divulgação da língua portuguesa só tardiamente foram preocupações centrais da antiga administração, nomeadamente com a criação das escolas luso-chinesas, um excelente projeto educativo que deu alguns frutos, mas que acabou por se ir desmoronando gradualmente. Nos últimos anos a língua portuguesa voltou a ganhar espaço não somente em Macau, mas na China, que nos últimos dez anos, o número de universidades chinesas que ensinam português praticamente quadruplicou, passando de seis para 23 instituições17.

Este ano, na Assembleia Legislativa de Macau, houve discussão sobre a necessidade de apostar na tradução para português dos recursos académicos, científicos e tecnológicos da China. Com intuito principal em criar uma base solida de transferência de tecnologia entre o grande país asiático e os países lusófonos, uma vez que os recursos científicos e tecnológicos chineses na sua grande maioria são disponibilizados apenas em inglês, isto seria uma alternativa para favorecer a entrada de saberes chineses aos países falantes do português18.


Macau assumiu a importância de se tornar o centro difusor da língua portuguesa na China. Há uma vontade tangível da China de formar muitos professores e tradutores de língua portuguesa, mas por que o interesse chinês em fomentar o idioma lusófono em seu território?


A razão fundamental é o interesse econômico: avolumam-se os negócios entre a China Continental e os países de língua portuguesa. E Macau é vista como “uma plataforma” para estas negociações19. E o Vácuo de poder deixado pelo Brasil nos últimos anos como grande parceiro estratégico dos países africanos depois dos escândalos da Lava-Jato envolvendo empreiteiras brasileiras naquela região do globo, fez com que a China percebesse uma oportunidade para adentrar mais o território africano, focando em países como Angola e Moçambique, também falantes do português. O próprio Brasil é foco chinês, desde 2009 a China desbancou os Estados Unidos e se tornou o maior parceiro comercial do Brasil.


Outro aspecto importante também de se lembrar é que o português é uma língua global. é a terceira língua que mais cresce no mundo, perdendo apenas para o espanhol e para o inglês. Além disso, embora seja a quarta língua mais falada do mundo em termos absolutos, é a terceira em ambientes de negócios relacionados ao mercado de óleo e gás20.

Desta forma, podemos dizer que Macau fala sim a língua portuguesa, entretanto, não é uma língua que se é falada em cada esquina das ruas do país, na realidade esta língua é mais presentes em placas destas ruas.


Contudo percebe-se que a China está buscando, através de Macau, fomentar o idioma português como forma de aumentar sua aproximação com os países lusófonos, em especial Angola, Brasil e Moçambique. Desta forma, o interesse Chinês é, sobretudo, geopolítico.




GENILDO PEREIRA GALVÃO, Graduado em Relações Internacionais pelo Centro Universitário IESB. Cursou um semestre do seu curso na Universidad Autónoma de Guadalajara, México. Conquistou essa oportunidade em um programa de bolsas do Programa Santander Universidades, no qual ficou entre os 9 selecionados do processo seletivo de 2017. Iniciou uma Licenciatura em História, em 2021, que trancou para iniciar uma em Filosofia que segue cursando. Atualmente está trabalhando no Ministério da Educação como Analista Jurídico Júnior pela THS Tecnologia. Membro do CERES.





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