Mudanças climáticas e a COP 26 na urgente redução do impacto ambiental

Entre os dias 1 e 12 de novembro, haverá a 26° “Conferência das Partes” encontro anual que reúne 197 nações para discutir as mudanças climáticas e como os países pretendem combatê-la. Em 2021, ela acontecerá em Glasgow.


Líderes de 196 países e a União Européia discutirão as metas firmadas no Acordo de Paris, que vão desde manter o aumento da temperatura média do planeta abaixo dos 2°C, até reduzir a emissão de gases poluentes; ampliar a produção de energia renovável; e destinar renda para ajudar países mais pobres a lidarem com os impactos das mudanças climáticas.

A COP26 estava programada para acontecer em 2020, mas por causa da pandemia, ela teve de ser adiada para 2021.


O senso de urgência em discutir e aplicar as metas de redução de impacto ambiental se agravou ainda mais depois que o IPCC ( Intergovernmental Panel on Climate Change) divulgou no início de Agosto, uma prévia de seu relatório que será totalmente lançado em 2022 – o que pode ser um tanto tarde já que é um assunto de extrema urgência a ser discutido na COP26 deste ano, e se quisermos alguma chance de reverter os estragos no meio ambiente.


O relatório do Grupo de Trabalho I é a primeira parcela do Sexto Relatório de Avaliação (AR6) do IPCC, que será concluído em 2022.


"Este relatório reflete esforços extraordinários em circunstâncias excepcionais", disse Hoesung Lee, presidente do IPCC. "As inovações neste relatório, e os avanços da ciência climática que ele reflete, fornecem uma contribuição inestimável nas negociações climáticas e na tomada de decisões."


O relatório fornece novas estimativas das chances de cruzar o nível de aquecimento global de 1,5°C nas próximas décadas, e constata que, a menos que haja reduções imediatas, rápidas e em larga escala nas emissões de gases de efeito estufa, limitar o aquecimento a perto de 1,5°C ou até mesmo 2°C estará fora do alcance.


Esse estudo mostra que as emissões de gases de efeito estufa provenientes das atividades humanas são responsáveis por aproximadamente 1,1°C de aquecimento desde 1850-1900, e constata que, em média, nos próximos 20 anos, a temperatura global deve atingir ou exceder 1,5°C de aquecimento. Esta avaliação baseia-se em melhores conjuntos de dados observacionais para avaliar o aquecimento histórico, bem como progressos na compreensão científica da resposta do sistema climático às emissões de gases de efeito estufa causadas pelo homem.


Nas próximas décadas, as mudanças climáticas aumentarão em todas as regiões. Para 1,5°C de aquecimento global, haverá aumento de ondas de calor, estações mais quentes e estações frias mais curtas. Com 2°C de aquecimento global, os extremos de calor atingiriam mais frequentemente os limites críticos de tolerância para a agricultura e a saúde, mostra o relatório.


Mas não se trata apenas de temperatura. As mudanças climáticas estão trazendo várias mudanças diferentes em diferentes regiões – o que aumentará com mais aquecimento. Estes incluem mudanças na umidade e secura, para ventos, neve e gelo, áreas costeiras e oceanos. Por exemplo:


· As mudanças climáticas estão intensificando o ciclo da água. Isso traz chuvas mais intensas e inundações, além de seca mais intensa em muitas regiões.


· As mudanças climáticas estão afetando os padrões de chuva. Em altas latitudes, é provável que a precipitação aumente, enquanto se projeta diminuir sobre grandes partes dos subtrópicos. São esperadas alterações na precipitação de monções, que variam de acordo com a região.


· As áreas costeiras verão o aumento contínuo do nível do mar ao longo do século XXI, contribuindo para inundações costeiras mais frequentes e severas em áreas baixas e erosão costeira. Eventos extremos do nível do mar que ocorreram uma vez em 100 anos podem acontecer todos os anos até o final deste século.


· O aquecimento adicional ampliará o descongelamento e a perda de cobertura sazonal de neve, o derretimento de geleiras e mantos de gelo e a perda de gelo do mar ártico de verão.

· Mudanças no oceano, incluindo aquecimento, ondas de calor marinhas mais frequentes, acidificação dos oceanos e níveis reduzidos de oxigênio foram claramente ligadas à influência humana. Essas mudanças afetam tanto os ecossistemas oceânicos quanto as pessoas que dependem deles, e continuarão ao longo do resto deste século.


· Para as cidades, alguns aspectos das mudanças climáticas podem ser amplificados, incluindo o calor (já que as áreas urbanas são geralmente mais quentes do que seus arredores), inundações de fortes eventos de precipitação e aumento do nível do mar em cidades costeiras.


No Brasil, a temperatura pode subir entre 4ºC e 5ºC nas próximas décadas. Isso terá efeito direto na disponibilidade de chuva e na produtividade do agronegócio.


A principal contribuição do Brasil para o agravamento das mudanças climáticas é o desmatamento e a degradação florestal. Em 2019, o país lançou na atmosfera 2,17 bilhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (tCO2e), crescimento de 9,6% em relação ao ano anterior.


O país precisa reduzir o desmatamento na Amazônia e no Cerrado, recuperar florestas e aumentar a produtividade agrícola nas grandes áreas já desmatadas.


Nos últimos dias 30 de Setembro à 2 de Outubro, aconteceu em Milão a Pre-COP 26 Summit, que reuniu representantes de cerca de 45 países e ocorreu logo após a conferência Youth4Change, liderada pela ativista ambiental sueca Greta Thunberg e com a participação do sul-mato-grossense Eric Marky, de 28 anos. Ele tem percorrido o mundo para defender os direitos da comunidade indígena.



Na Pré-COP26, quem representou o Brasil foi a secretária de Amazônia do Ministério do Meio Ambiente (MMA), bióloga especialista em biodiversidade e conservação Marta Giannichi. O ministro Joaquim Leite não esteve presente.


Desde a saída de Ricardo Salles do cargo no Ministério do Meio Ambiente, o governo federal ficou com uma péssima imagem anti-meio ambiente. Na última conferência, em 2019, o país foi apontado como um dos que mais bloquearam acordos, ao questionar os mecanismos de cálculo para um mercado global de créditos de carbono.


No discurso do presidente Jair Bolsonaro, na terça-feira (26) na 76ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, ele mencionou o que o governo brasileiro busca objetivar na COP26:


“Por ocasião da COP-26, buscaremos consenso sobre as regras do mercado de crédito de carbono global. Esperamos que os países industrializados cumpram efetivamente seus compromissos com o financiamento de clima em volumes relevantes.

O futuro do emprego verde está no Brasil: energia renovável, agricultura sustentável, indústria de baixa emissão, saneamento básico, tratamento de resíduos e turismo.”


O Brasil estará na mira e no foco de líderes e ativistas ambientais na próxima conferência, com uma pressão mais evidente do que nunca.



Carol Bellodi Coimbra, Formada Comércio Exterior , MBA Diplomacia e Relações Internacionais Uninter. Cursando Análise e Desenvolvimento de Sistemas. Atua na área de Tecnologia. Ativista meio ambiente e direitos dos animais, pesquisadora ética ambiental e sustentabilidade.


Referências:

IPCC Working Group I report, Climate Change 2021: the Physical Science Basis

https://www.ipcc.ch/2021/08/09/ar6-wg1-20210809-pr/

United Nations Climate Change

https://unfccc.int/

IPCC mostra Brasil e Amazônia vulneráveis às mudanças climáticas global

https://ipam.org.br/ipcc-mostra-brasil-e-amazonia-vulneraveis-as-mudancas-climaticas-global/

Líderes da pré-COP afirmam que é necessário fazer mais para conter o aquecimento global

https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2021/10/lideres-da-pre-cop-afirmam-que-e-necessario-fazer-mais-para-conter-o-aquecimento-global.shtml


Na reta final para a COP26, ministros tentam enxugar pontos críticos das negociações de clima

https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/rfi/2021/09/30/na-reta-final-para-a-cop26-ministros-tentam-enxugar-pontos-criticos-das-negociacoes-de-clima.htm


Governo quer esperar COP-26 para regulamentar mercado de carbono; deputado discorda

https://www.camara.leg.br/noticias/807646-governo-quer-esperar-cop-26-para-regulamentar-mercado-de-carbono-deputado-discorda

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