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Ruanda: Uma promessa ou uma realidade econômica?

Ruanda é um Estado marcado pelo conflito étnico entre hutus, que constituem a maior parte da população, e os tutsis, que compõem a menor parte da população, e, embora sejam a minoria, foram audaciosos ao a conquistar o poder no decurso da colonização belga, excluindo aqueles dos processos econômico e social.

Essas exclusões fizeram com que os hutus se unissem e tomaram o poder dos tutsis durante uma revolta em 1959 e após um plebiscito em 1961. Os combates entre as etnias se estenderem até 1994, ano de maior notoriedade desse conflito, quando ocorreu a morte do Presidente Juvénal Habyarimana, em 06 de abril, aos 57 anos de idade, na cidade de Kigali, capital do país à época. Depois de um mandato arbitrário e ditatorial que durou 20 anos, o avião oficial do líder ruandês foi abatido após uma rodada de negociações com o presidente do Burundi, Cypriens Ntariamira, que coincidentemente também era um dos passageiros desse voo. Esse episódio foi o estopim para o famoso genocídio de Ruanda.

Os ruandeses sofreram muito com a prática genocida. Cerca de 800 mil pessoas foram mortas, principalmente os opositores que tiveram seus nomes e de seus familiares expostos e entregues às milícias para a prática sangrenta, caracterizada pelos meios mais cruéis e insidiosos já vistos e imaginados, como o abatimento de vidas humanas como a de animais irracionais, a base de facões (a maioria homens e ainda a transformação de suas mulheres em escravas sexuais).

Passados 21 anos do massacre, embora Ruanda seja um Estado nacional de pequeno porte, há perspectivas positivas em sua economia que podem ejetá-la há um crescimento um tanto surpreendente, mesmo que ainda sofra com a ausência de investimentos em infraestrutura em determinados setores como, por exemplo, rodovias e ferrovias; o país faz a alavancagem dos números através da exportação, principalmente, para a China, Estados Unidos da América e Alemanha.

Ruanda criou expectativas quando aderiu a Comunidade do Leste Africano no ano de 2007, o que ajudou a ampliar a sua economia sobre agricultura familiar e local. Os investimentos no cultivo de produtos considerados de intensa exportação (café, chá, feijão, batata, piretro, bananas) impactou o seu Produto Interno Bruto (PIB) substancialmente.

O setor industrial, mesmo sendo também considerado de pequeno porte, contribuiu para o fortalecimento do seu PIB em 14,3% no ano de 2010 e continua em franco crescimento pelos próximos anos, conforme Convenção do Banco Mundial em Macau e o próprio governo de Ruanda, que lançou um projeto denominado “Rwanda Vision 2020”. A iniciativa foca no interesses do país e na transformação da sua economia, tornando-a mais sólida e diversificada, calcada no livre mercado, diminuindo a sua dependência externa, tirando os grilhões da pobreza e do atraso. Merece atenção as taxas de crescimento econômico surpreendente nos ramos têxteis e agrícolas, nos parecendo que a organização e a compactação é o segredo, haja vista o investimento ser baixo no respectivo setor.

Atualmente, o setor mais saliente da economia de Ruanda é o de serviços, que, a partir do ano de 2010, contribuiu enormemente com o PIB (43,6%), focando principalmente, nos bancos, nos comércios, nas finanças, na comunicação (com investimentos em tecnologia e internet), negócios (nos âmbitos público e privado), imobiliário, educação e o turismo (este impactando o PIB positivamente) – pois o seu crescimento se dá pelos fatores confiança e segurança que foram instituídos no estado devido a intensificação militar que enseja suporte para a atividade de rastreamento dos “Gorilas da montanha” que é considerado o maior e mais atraente roteiro turístico do país, visitados por turistas de todo canto do planeta.

Referências:

. Samuel Rodrigues dos Santos Junior, João. Escritas de Sangue: Narrativas “Ocidentais” sobre o conflito de Ruanda em 1994.

. Ministério das Relações Exteriores, Departamento de Promoção Comercial e Investimentos, Divisão de Inteligência Comercial. “Guia de negócios Ruanda”.

. The New York Times, 06/04/2014, as 14:12, “Novo modelo econômico ajuda Ruanda crescer quase 8%”

Fonte da foto: Forwallpaper

#África #economia #Ruanda

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