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A Coreia do Sul, o K-pop e o Soft Power

Bem-vindos à Livraria Hyban-Dong, este é o livro que estou lendo no momento, da autora Hwang Bo-Reum. Este ano também li ao livro A Sociedade do Cansaço de Byung-Chul Han. Ambos coreanos. Beyond The Story Uma história dos 10 anos de BTS foi um livro que saiu este ano falando sobre a trajetória de BTS, uma banda coreana de sucesso entre os jovens do mundo todo.


O clipe da música “Gangnam style” do rapper Psy, em 2012, chegou ao primeiro lugar no ranking de vídeos mais assistidos na plataforma de vídeos YouTube, com a marca, na época, de um bilhão de visualizações em um intervalo de seis meses.


O k-pop dominou o mundo teen. Os doramas ou k-dramas ou novelas coreanas também têm um grande publico mundial. Em streamings séries ganham as telas ao redor do globo. Nas telonas, o filme Parasita ganhou o Óscar de Melhor filme há alguns anos.


O turismo deste país só cresce: em 1995, as receitas do turismo atingiram 6,67 bilhões de dólares, ou cerca de 1,2 por cento do produto nacional bruto (PNB). Em 26 anos, a dependência do país do turismo aumentou visivelmente. Antes do surto da pandemia de Covid-19, as vendas representavam 25,46 bilhões de euros, 1,5% do PNB.


Há um boom de pessoas querendo conhecer a Coreia do Sul, muitos querendo aprender o idioma e querendo imergir na cultura coreana. O que fez com que a coreia se tornasse palco de interesses em diversas áreas? O que deu certo num país que na primeira metade do seculo passado que tinha uma economia agrícola e era colónia do Japão hoje seja um país capitalista, industrializado, desenvolvido e que desperta interesse dos mais jovens às discussões nas relações internacionais? O que deu certo na Coreia que não deu certo em outros países colonizados?


A história da Coreia do Sul tem uma dinâmica diferente a de outros países, seu desenvolvimento se deu não só apenas à sua eficiência, mas também à “sorte” de ter sido vítima de uma guerra entre os Estados Unidos e URSS. Em seu próprio território.


No início do seculo XX a Coreia ainda era um país agrícola dominado pela então potência regional, o Japão. Com o Fim da Segunda Guerra Mundial. O país ficou divido, através do Tratado de Yalta, que traçava o paralelo 38 como fronteira entre o Norte, dominado pela URSS e o Sul, dominado pelos EUA. Que como é sabido, entre 1950-53, aconteceria a Guerra da Coreia. Até então, a Coreia do Norte se desenvolvera melhor que a Coreia do Sul (ALBUQUERQUE).


O governo sul-coreano, sobretudo a partir de 1950, quando irrompe a Guerra da Coreia, o que aumenta o desejo de desenvolvimento do sul da península, estabelecendo vários mecanismos que tinham como objetivo de deixar ser uma sociedade agrária, intensiva em mão de obra, com baixa renda per capita para se tornar uma das economias mais dinâmicas e industrializadas do mundo, onde bens com alto conteúdo tecnológico são parte importante das exportações (ALBUQUERQUE).


Neste período de Guerra Fria, os EUA investiram em grandes proporções na Coreia do Sul, pois este país agora seria um “exemplo” de como os países capitalistas se desenvolvem mais rápido que os socialistas, no caso, seu irmão, a Coreia do Norte.


No período posterior à guerra, os Estados Unidos investiram neste país um valor que era cerca de 16% do valor total do PIB coreano. Foi injetado no país mais de 2 bilhões de dólares, ou mais de 17 bilhões em valores atuais. a ajuda chegou em seu auge em 1957, tendo uma diminuição até 1960. Essa ajuda continuará caindo até praticamente ser interrompida em 1972. Entre 1953-60 essa ajuda representou mais de 70% das importações e mais 99% dos investimentos com capital estrangeiro (ALBUQUERQUE).


Com todo este apoio dos EUA aos sul-coreanos eles tiveram um crescimento mais marcante, que começou a ser conhecido como o "Milagre do rio Han". Na década de 1960, o país era um dos mais pobres países da região, com menor desenvolvimento. Mas a partir da década de 1980 até o presente, a Coreia do Sul se transformou em um país desenvolvido, com renda alta e elevados valores de IDH e de PIB per capita.


A coreia do Sul, conseguiu assim, se desenvolver e se tornar um país industrializado, graças as ajudas do Plano Marshall, plano este que ajudou na recuperação dos países europeus e alguns como a Coreia, da devastação pós-Segunda Grande Guerra. Além do plano Marshall, que os sul-coreanos se beneficiaram, ainda tiveram, como já citado, ajuda de capital financeiro para se desenvolver mais rápido que a Coreia do Norte, como uma forma deste país se tornar uma vitrine de exemplo de país capitalistas.


Depois de seu desenvolvimento, a Coreia do Sul, agora usa de um conceito das relações Internacionais, para se estabelecer no mundo, ganhar mercado e ter influência no sistema internacional: através de uma diplomacia cultural, do Poder Brando, ou seja, do Soft Power.

O soft Power, é o poder brando, de convencimento, ou um poder suave, é um conceito das relações internacionais no qual um Estado pode, através deste poder, influenciar indiretamente o comportamento ou interesses de outros corpos políticos por meios culturais ou ideológicos. O Termo foi conceituado por Joseph Nye. Para Kawano o poder brando pode ser:


definido como o uso de recursos culturais com uma influência sociopolítica para promover a imagem positiva de uma nação além de ser uma ferramenta eficaz para promover o crescimento econômico da nação por meio da cooperação internacional e do comércio na região.

O governo sul-coreano, desde os anos 80, vem usando do soft power para fortalecer sua economia. Fortificado ainda mais na década seguinte, ao investir em suas estratégias em políticas culturais e Diplomacia Cultural como política de Estado (KAWANO2021).

Como já citado acima, a Coreia do Sul, usou de sua estabilidade financeira para se lançar ao mundo. As Olimpíadas de Seul, em 1988, foi o início de um avanço da difusão de sua cultura.


Posteriormente o país buscou investir na cultura e entretenimento, em 1998, o Ministério da Cultura teve verba reforçada e ganhou setor dedicado à cultura popular, depois apelidado “departamento de k-pop”. O país investiu bastante e atualmente colhe os resultados desta política.


Hoje em dia, a cultura sul-coreana é absorvida por diversas pessoas no mundo. O país passou de 30º a 6º maior mercado de música do mundo de 2007 a 2017 - superando o Brasil. A explosão no ocidente foi em 2012, com o fenômeno “Gangnam style”, de Psy. Além do mais, com a expansão global, a indústria musical do país do BTS cresceu 17,9% só em 2018. O k-pop rende mais de US$ 4,7 bilhões ao ano, liderado por empresas privadas, com ações na bolsa e tudo. Estima-se que só o BTS movimente, direta e indiretamente, US$ 3,7 billhões ao ano na economia do país e 1 a cada 13 turistas citou o BTS como motivo de escolher visitar a Coreia do Sul, diz o Instituto Hyundai. O turismo total no país triplicou nos últimos 15 anos.


Percebe-se, desta forma, como a Coreia do Sul aproveitou as oportunidades para se consolidar economicamente quando estas oportunidades surgiram e quando já consolidada, resolveu institucionalizar sua Política Cultural e com os investimentos do governo fomentaram a Economia da Cultura e com isso a Economia da Coreia transformando-a em outro tópico da proposta de desenvolvimento. A Coreia do Sul viu a possibilidade de aumentar sua influência e projetar uma imagem positiva para o mundo por meio desta onda coreana.


Fica claro que o sucesso da Coreia do Sul não é mero acaso. Foi uma política bem trabalhada. Evidentemente o país foi beneficiado em demasia com os planos de reestruturar os países devastados pela segunda guerra mundial e em sua própria guerra, o que não aconteceu com diversos outros países em suas histórias. Mas mesmo que o país tenha tido todo um apoio económico para se desenvolver não se pode tirar seu mérito em ter aproveitado as oportunidades e estar se consolidando cada vez mais como um país de destaque no ambiente internacional.



GENILDO PEREIRA GALVÃO, Graduado em Relações Internacionais pelo Centro Universitário IESB. Cursou um semestre do seu curso na Universidad Autónoma de Guadalajara, México. Conquistou essa oportunidade em um programa de bolsas do Programa Santander Universidades, no qual ficou entre os 9 selecionados do processo seletivo de 2017. Iniciou uma Licenciatura em História, em 2021, que trancou para iniciar uma em Filosofia que segue cursando. Atualmente está trabalhando no Ministério da Educação como Analista Jurídico Júnior pela THS Tecnologia. Membro do CERES.


Referências


PACHECO, M. S. Na crista da onda: a cultura pop coreana na atualidade. Cadernos de Pós-Graduação em Letras, v. 22, n. 2, p. 51-68, maio/ago. 2022. doi: 10.5935/cadernosletras. v22n2p51-68.


ALBUQUERQUE, Alexandre Black de. Coreia do Sul na década de 1950: mudança estrutural e início da política desenvolvimentista.


KAWANO, Breno kenji. Diplomacia cultural como forma de exercício de poder: Soft Power coreano. 2021.

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