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Pseudo-psicologias sob egóicas linguagens de irresponsabilidade: Tagueados clínicos como publicidade pessoal na fabricação das dores

  • Foto do escritor: CERES
    CERES
  • 7 de jul. de 2025
  • 4 min de leitura

Por Aline Batista dos Santos


Vê-se hoje um fenômeno com expressiva ascensão nas mídias sociais globais, na qual se é popularizado a concessão de condições psicológicas, com indevida simplicidade, sob as apropriações rasas dos influenciadores e/ou mesmo os usuários comuns. “Tagueados”, é o nome concedido aos que sinalizam ações dadas como comuns/Tìpicas à doenças, com o impulso de “diferenciação” de si sob os demais ou mesmo para o alcance de alguma ou devida “normalidade” em meio à similaridades com ansiedades generalizadas nas redes. 


A saúde ganhou visibilidade online, o que corrobora para que haja uma provável redução dessas concepções prévias sobre as condições psíquicas. Porém, essa visibilidade, logo que aufere mídia à eles, dá margem para que ações comuns sejam associadas às suas principais características basilares. Na expansão do discurso psicológico, observa-se uma apropriação de diálogos dados como “clínicos” ou relacionados aos quadros depressivos, ansiedade generalizada, bipolaridade, TEA - TDAH, sem rigidez no processo de análise… 


Há concessão de “Eus” medicalizados, na qual doenças ou quadros psicológicos são os passes para grupos sob marcadores de identificação pessoal com base no diagnóstico no cenário mais raso possível, inúmeras vezes sem respaldo de verificações profissionais. E não é uma conjuntura nova, essa ideia de “patologização” adveio com Foucault (1979), o mesmo que indicou que esse seria o recurso ideal para uma pseudo “Organização” social que modifica variações em ações humanas com os seus desvios clínicos correlacionados. 


No cenário hodierno, o processo é impulsionado pela lógica de produção neoliberal, essa mesma que corresponde à produções excessivas, sob relação ínfima com saúde (...), logo quando os indivíduos possuem dificuldades nos seus compromissos, exemplificam que os porquês se relacionam à “deficiências” que inibem operações básicas ou maximização de ofícios específicos. Nisso, o dado como diário é recurso de classificação que “personifica”. Tudo com uma circulação massiva nas redes sociais com linguagem simples e emocional. 


Influenciadores ou usuários comuns das redes sociais popularizam mensagens que fazem vinculação de indivíduos a condições clínicas sem aval profissional, colocando sintomas e diagnósticos (pseudos) fora dos contextos condizentes. Claro, há um processo neoliberal que além da explicação sobre produção versus impossibilidade clínica, usa o cenário para vendas de coaching, formação, enfim, com processos de comercialização que colocam as “Tags” para que vendam possíveis soluções além da “romance” que ameniza jornadas (...)


Vislumbra-se um grande paradoxo, na mesma medida que há mais liberdade para que os diálogos sobre saúde e psicologia sejam dados como acessíveis/públicos sob os mesmos vê-se riscos excessivos de diminuição dos danos com riscos de banalização dos quadros sérios, clínicos (...); Essa apropriação nas redes funciona como recurso para “Adições” de jovens (gerações hodiernas) nos grupos formados, como mecanismo de associação. Há o frenesi, frases comuns que correlacionam, concedem grau de pertencimento/identidade… 


Enxerga-se um combo de diálogos como “Minha dislexia”; “meu quadro depressivo”; “sou TEA-TDAH E…”, circulando como se fossem meros acessórios da vinculação individual ao quadro de patologias clínicas, identificações sob transtornos psiquiátricos publicizados. O que gera redução/eliminação de propriedade no diagnóstico, fuga de responsabilidades pessoais e profissionais, reforçando estereótipos e concedendo graus pejorativos para os nomes e nomenclaturas clínicas, além da dificuldade de visão da gravidade real clínica… 


As consequências morais relacionadas conferem impacto ético/clínico na consideração de que a imagem pessoal se molda e confere aos quadros psicológicos, psiquiátricos - O que concede dificuldades nos processos genuínos (reais) para melhorias. E mesmo que esse discurso sobre saúde beneficie na redução dos preconceitos ou estigmas, o modelo com que esse discurso é disseminado e apropriado gera uma cadência de desinformações sob identidades patologizadas, compiladas como exposições públicas de um sofrimento irreal. 


Há uma necessidade ínfima de que se promovam jornadas educacionais sobre psicologia ou saúde no cenário online, impulsionando devidas ações comunicacionais morais com as reais proporções, com responsabilidade para com complexidades envolvidas no processo subjetivo de cada um dos impactados bem como papel dos profissionais especializados… Pois é sabido que sem desmistificação apropriada desses estereótipos, o preconceito que já constrange clinicamente é dado como recurso que banaliza o significado da “inclusão”. 


Aline Batista Dos Santos
Aline Batista Dos Santos

Aline Batista dos Santos

Graduada em Relações Internacionais (Bacharelado) pelo Centro Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas - FMU (Com Bolsa 100% pelo Programa Universidade para Todos - PROUNI) | Pesquisadora Acadêmica no Programa de Iniciação Científica - PIVIC (2017; 2018; 2019 e 2020) | Monitora Acadêmica das Disciplinas de: "Finanças Internacionais" (2018.2); "Economia Brasileira Contemporânea" (2019.1); "Eventos e Extensão" (2019.2); "Geopolítica e Geoestratégia" (2020.1); "Fundamentos da Economia" (2020.1) | Analista Internacional | Educadora para a Transformação e o Impacto Social | Pesquisa Acadêmica | Gestão de Projetos e Negócios Sociais | 


● FONTES CONSULTADAS I REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS = 

FOUCAULT, Michel. Microfísica do poder. Rio de Janeiro: Graal, 1979. CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra, 1999. COSTA, Jurandir Freire. A medicalização da vida. Ed. Civilização Brasileira, 2004. EHRENBERG, Alain. A fadiga de si mesmo: depressão e sociedade. SP: Ed. Vozes 2010. VECCHIOLI, Cristina. “Juventudes e medicalização: o lugar das redes sociais digitais”. In: PINTO, R. J.; RAGO, M. Subjetividades em Tempos de redes. SP: Mercado de L., 2020…

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