A performance da produção excessiva online: Exibicionismo mercadológico?
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- há 6 horas
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Aline Batista dos Santos
Nas derradeiras décadas, as mídias sociais deixaram a posse de uma única função, a de espaço de conexão, operando hoje como verdadeiras exposições da vivência diária. Com essa percepção, a produção é dada não só como exercício/responsabilidade mas como o ideal fixo de indicadores de performances. Experiências cada vez mais organizadas, sob cheias agendas e ações acadêmicas sucessivas ou baseadas em ideários saudáveis são como os sinais basilares de um “sucesso” online, medido pelas publicações referenciais…
A dúvida cerceia o porquê dessa exposição de performance, se o exibicionismo é válido para com a realidade ou máscara de problemas não vislumbrados (negligenciados). É um dado inegável que a exibição do “Eu” nas redes envolve um processo de seleção com real edição de pseudos verdades. Logo, usuários publicam períodos que validam e reforçam o que desejam, vendendo-se como referência ou divulgação para fins mercadológicos. Com essa curadoria confecciona-se narrações de eficiências e, que não correspondem ao real.
A produção, dessa forma, nesse cenário, faz-se um recurso para validação na sociedade. Se o indivíduo permanece ocupado e mesmo assim indica eficiência, há uma demanda a fim de que o reconheça, engajando pelo que se produz. É o ciclo de performances online, pela qual as ações são medidas pelos números, não pelas consequências ou qualidades. A lógica cria algo vicioso e cíclico: se produz sobre a produção e não realizando no real; prioriza-se o que é “publicável”; em necessidades de provação, validação dessas eficácia.
A massiva exposição dessas imagens e/ou vídeos possui consequências advindas de um cenário de comparação social, pela qual os demais usuários comparam vidas com as dos influenciadores que performam mais, sob sensação de insuficiência mas sem real noção das variabilidades e desigualdades socioeconômicas envolvidas nessa relação imprecisa. Fora que essa ideia de necessidade de produção leva à banalização do descanso, vício à performances para alívios da culpabilidade pela mediocridade, péssimo uso do relógio (...)
Essa sensação de culpa gera remorso que é curado com cursos/formações vendidas com o ideal de fórmulas mágicas para o alcance do sucesso. A narração de que suas 24 horas seriam as mesmas dos influenciadores que performam geram ademais da comparação, a visualização de um indivíduo que não usufrui do máximo de suas capacidades, medíocre. Logo, o esforço absurdo carrega malefícios psicológicos inúmeros que assim mobilizam a manivela dos fármacos. Esses que reprimem os “danos” ou impulsionam suas produções.
“Eles dormem! faça nesse período”. “Eles usam o ócio para o nada! produza longe do que é dado como medíocre.” A famigerada frase que mencionava dinheiro associado às horas do relógio hoje associam os segundos à validação social. Mesmo que haja mobilizações a fim de que a realidade de fracassos seja exibida, o imaginário de sucesso sempre vende e alcança mais seguidores e bolsos que compram de ideias à jornadas de ápices irreais. A produção sai do campo da execução e se inclui no exibicionismo (não o após, o agora).
Mais do que um alívio pessoal de obrigações/missões cumpridas, a exposição do período na qual aquilo foi realizado e seus sucessivos porquês sugerem o apoio que afaga o ego. Todavia, reflexões sobre essas dinâmicas de performances exacerbadas - exibicionismos, são cruciais para que haja mais consciência nas redes! sobre ideias compradas e/ou das verdade assumidas (o Mercadológico não abandonou esses meios). No fim, de consumos desenfreados alienados à comparação irreal, o prejudicial performa do seu próprio modo.
FONTES CONSULTADAS I REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
HAN, BYUNG-CHUL. SOCIEDADE DO CANSAÇO. PETRÓPOLIS; VOZES, 2017.
BAUMAN, ZYGMUNT. VIDA PARA CONSUMO: A TRANSFORMAÇÃO
DAS PESSOAS EM MERCADORIA. RIO DE JANEIRO. ZAHAR - 2008.
DEBORD, GUY. A SOCIEDADE DO ESPETÁCULO.
RIO DE JANEIRO - CONTRAPONTO, 1997.

Sou Analista Internacional - Internacionalista de formação, com um bacharelado concluído no curso de Relações Internacionais (2020), dispondo de Formações Pedagógicas - licenças para que lecione, em Geografia (2023), História (2023) e Ciências Sociais (2025). Com Especializações, Pós-graduações, em “Ciência Política” (2022), “Filosofia e Teoria Social” (2024), “Ensino da Sociologia” (2025) e “Tecnologias Aplicadas à Educação” (2025) além do Master Of Business Administration (o MBA) em “Gestão de Projetos Educacionais” (2022) e em “Comércio Exterior e Marketing Internacional” (2026).





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