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Ventos do Norte soprando na América Latina: a eleição brasileira de 2026 no cenário regional

há 26 minutos
13 min de leitura

Flávia Abud Luz

 

Em 26 de maio de 2026, o senador Flávio Bolsonaro, então pré-candidato do PL à Presidência no Brasil, esteve na Casa Branca. A viagem fazia parte da pré-campanha que já se utilizava do tema das relações bilaterais entre Estados Unidos e Brasil como bandeira, e foi justamente em tal contexto que um registro fotográfico de Flávio e seu irmão Eduardo Bolsonaro, ao lado o presidente Donald Trump foi feito. A imagem, logo em seguida, ganharia as redes sociais e as notícias na imprensa, indicando, ao mesmo tempo, dois movimentos: a aproximação ideológica entre o então pré-candidato Flávio e Trump e, por outro lado uma preocupação de analistas de política externa com relação à existência de possíveis interferências no pleito eleitoral.


O presente artigo possui como objetivo central analisar, mesmo de que maneira breve, a conjuntura política brasileira, buscando discutir em que medida a eleição presidencial brasileira de 2026 expressa uma difusão regional da direita, ou seja, uma tendência político-ideológica condicionada múltiplos atores e por uma lógica familiar-dinástica que teriam como expressão maior uma espécie de consolidação de uma disputa ainda maior na região da América Latina: a incansável tentativa dos EUA de conter a queda de seu império e ao mesmo tempo isolar a ação da China na região.


Doutrina Monroe, intervenções e a reconfiguração do poder no século XXI


A arquitetura de poder na América Latina atravessa um de seus períodos mais turbulentos e decisivos desde o fim da Guerra Fria. Por décadas a Doutrina Monroe, vetor central do excepcionalismo norte-americano e formalizada em 1823, influenciou a formulação da política externa dos EUA para a região. Embora em seu contexto inicial tal Doutrina tinha como objetivo impedir a atuação espanhola e de outras potências europeias no hemisfério ocidental, ao longo do tempo foi revisitada, tendo talvez o seu auge a partir da atuação do presidente Theodore Roosevelt, que sob a política do “Big Stick” passou usar o pretexto de “proteger a segurança da América” (enquanto continente) para realizar intervenções de cunho político e militar em países da América Latina e Caribe.


A doutrina desenvolveu um padrão moral duplo de atuação que ao mesmo tempo que queria “impedir” a projeção de poder de países europeus na região não hesitava em transformá-la em uma espécie de tabuleiro de geopolítica próprio. O ápice de tal moralidade dupla se observa, por exemplo, entre 1960 e 1980, quando a retórica de valores democráticos que norteou o e excepcionalismo norte-americano, principalmente na primeira metade do século XX, são substituídos por uma lógica que visava priorizar a contenção do comunismo, sob a égide da Doutrina de Segurança Nacional (DSN).


O século XXI, por sua vez, trouxe um novo desafio à hegemonia de Washington: a ascensão de um mundo multipolar, impulsionado pela presença econômica maciça da China e pela consolidação de blocos como o BRICS (Stuenkel, 2018). Para conter a perda de influência e neutralizar a ascensão de governos progressistas e nacionalistas que buscam autonomia regional, os Estados Unidos adaptaram suas táticas. Observa-se hoje a construção de uma nova vertente política no continente americano — frequentemente apelidada na mídia como “onda laranja” em referência aos movimentos ultraliberais e libertários —, uma extrema direita com verniz de populismo digital, pautas conservadoras nos costumes e alinhamento automático aos interesses geopolíticos euro-atlânticos.


A nova forma de ingerência é sofisticada, capilarizada e opera, muitas vezes, nas zonas cinzentas da democracia. Ela se manifesta através do financiamento de fundações, do treinamento de lideranças por think tanks, da exportação de tecnologias de manipulação de dados e de um soft power reverso que visa desestabilizar as instituições e pavimentar o caminho para a direita radical.


O ponto de inflexão aqui é evidente: a estratégia de atuação migrou para o campo da metapolítica, da guerra de informações e da cooptação institucional, elementos muito mais complexos e cuja influência já é observada na região, explico. No centro dessa engrenagem de modulação de percepções políticas estão organizações transnacionais de fomento político. A Atlas Network, por exemplo, opera como um vasto guarda-chuva que distribui milhões de dólares anualmente para centenas de institutos de viés ultraliberal e conservador espalhados pela América Latina (Borges & Pereira, 2022).


Essas instituições locais atuam como incubadoras de narrativas, traduzindo as cartilhas de desregulamentação econômica e "guerra cultural" norte-americanas para a realidade de cada país. Paralelamente, eventos como a CPAC (Conferência de Ação Política Conservadora)[1] funcionam como palcos para unificar táticas, criar uma identidade visual e discursiva comum e conectar ativistas locais diretamente a estrategistas políticos em Washington.


A digitalização do debate público ofereceu a oportunidade perfeita para a operação dessa nova tática, visto que consultorias de marketing político baseadas nos EUA, utilizando vastos bancos de dados extraídos de plataformas digitais, trouxeram para o Sul Global técnicas avançadas de microtargeting (Da Empoli, 2019). O disparo em massa de desinformação, a segmentação de eleitores com base em perfis psicológicos e a radicalização algorítmica substituíram os panfletos e os comícios tradicionais utilizados pelos partidos políticos da região. A desestabilização da ordem político-social e a erosão da confiança nas instituições democráticas por meio da saturação informacional, combinada com o uso do lawfare (nesse contexto a instrumentalização do sistema de justiça para perseguir e inabilitar líderes políticos não alinhados a Washington) tornou-se ordem do dia; estratégia utilizada em diferentes países da região para mobilizar simpatia e ação frente às eleições.


A dinâmica em três frentes do tabuleiro regional


            Ao observarmos o tabuleiro da América Latina um primeiro elemento ressalta: a implementação da estratégia norte-americana adaptou-se às particularidades institucionais de cada país, buscando sempre o mesmo objetivo de neutralizar projetos nacionais soberanos e garantir o controle de recursos estratégicos, sobretudo de materiais críticos e petróleo. Entre 2023 e 2026 três países chegaram à direita por caminhos distintos.


A Argentina elegeu Javier Milei, que se apresentou como um “outsider libertário” e ao longo de seu mandato realizou uma série de ações que colocaram uma expressiva parcela do país abaixo da linha da pobreza.  A Colômbia pôs fim ao primeiro ciclo de governo de esquerda de sua história republicana (liderado por Gustavo Petro) e elegeu Abelardo de la Espriella, um ex-advogado milionário, que representava uma resposta dura às políticas do governo anterior. Já o Peru entregou a Presidência a Keiko Fujimori, após três derrotas consecutivas em segundos turnos.


Em 2023 a vitória de Javier Milei representou o ápice da “onda laranja” na região, visto que sua vitória foi imediatamente celebrada pelas redes conservadoras dos EUA e por think tanks liberais financiados pela Atlas Network (Borges & Pereira, 2022). O alinhamento do atual governo argentino com Washington pode ser observado em ações como: a proposição da dolarização da economia, a rejeição ao ingresso no BRICS, a abertura do país para a financeirização e para a extração de recursos como o lítio, afastando concorrentes asiáticos.


Trump afirmou, às vésperas das legislativas de outubro de 2025, que a ajuda econômica dependia da vitória do grupo de Milei, num pacote que incluía um swap de US$ 20 bilhões[2]. Nas eleições parlamentares de 2025 o partido de Milei, A Liberdade Avança, alcançou cadeiras na Câmara e no Senado nacional[3], fato que foi observado como um tipo de “aval” ao governo de Milei, que estava no segundo ano de mandato. Aqui cabe destacar que Tal ação o vínculo entre apoio externo e resultado eleitoral foi declarado pelo próprio ator estatal.


Na Colômbia a eleição de Abelardo de la Espriella representou uma mudança importante com relação ao governo de seu antecessor Gustavo Petro, já que os laços profundos entre o aparato de inteligência colombiano, as elites militares locais e agências norte-americanas servem como um contrapeso constante, dificultando as reformas progressistas anteriormente pleiteadas pelo governo Petro. Em outubro de 2026, pouco mais de dois meses após sua posse, De la Espriella tem enfrentado uma onda de manifestações populares[4] que conduziram à uma medida preocupante do ponto de vista democrático: a assinatura do Decreto 1525 de 2026 que impôs regras para a realização de manifestações e alterou os protocolos de conduta policial no que diz respeito à capacidade de coerção de tais manifestações ao buscar conter supostos atos de violência e vandalismo por parte da população.


Ao contrário da política ambientalista do governo anterior, De la Espriella aposta na redução estatal e no incentivo ao petróleo, o que favorece o aporte de empresas norte-americanas e fortalece a pauta comercial de livre mercado entre os dois países.


A vitória de Keiko Fujimori em sua quarta tentativa de chegar à Presidência do Peru não representa apenas o triunfo de um projeto político familiar persistente, mas consolida a transição da região andina em direção a uma agenda conservadora focada em segurança e alinhamento com Washington.


O Brasil como peça central da virada à direita?


O ciclo de 2018 marcou a ascensão de uma nova configuração da direita no Brasil, catalisada por uma profunda crise de representatividade, pelo desgaste dos partidos tradicionais na esteira de investigações de corrupção e por um acentuado declínio econômico. Nesse contexto, a retórica antissistema encontrou terreno fértil, unindo temporariamente liberais econômicos, conservadores religiosos, setores militares e eleitores desiludidos com a política convencional. A vitória executiva daquele ano estabeleceu os pilares de um movimento focado na guerra cultural, no armamentismo e na revalorização de pautas morais.


Em 2022 as eleições trouxeram um resultado misto à extrema-direita, visto que no âmbito do poder executivo ocorreu a volta do Partido dos Trabalhadores (PT), mas a extrema-direita e a direita conservadora demonstraram uma força estrutural ao elegerem as maiores bancadas na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, além de conquistarem os governos de estados economicamente estratégicos do Sudeste e do Sul.


A ascensão da extrema direita no país a partir da segunda metade da década de 2010 não foi um fenômeno puramente orgânico ou isolado, mas fortemente catalisado pela importação de metodologias políticas testadas nos Estados Unidos durante o fenômeno do Trumpismo, operando através de uma nova dinâmica de populismo digital (Cesarino, 2022).

As campanhas eleitorais brasileiras recentes viram a adoção de uma cartilha idêntica à de estrategistas como Steve Bannon: o ataque sistemático à imprensa tradicional, a mobilização de bases evangélicas através do pânico moral, a promessa de um choque de livre-mercado e, crucialmente, a fabricação de suspeitas infundadas contra o sistema eleitoral (Da Empoli, 2019; Cesarino, 2022). A simbiose tornou-se evidente na constante troca de visitas entre lideranças da direita brasileira e lobistas em Washington, bem como na realização de sucessivas edições da CPAC no Brasil.


O apoio tácito e, em alguns momentos, explícito de setores da política norte-americana a essas lideranças serve a um propósito claro: garantir que a maior economia da América do Sul permaneça fraturada internamente e afastada de uma política externa altiva e ativa. Ou seja, um Brasil polarizado, focado em guerras culturais e liderado por governos que adotam uma postura de submissão diplomática, é um Brasil incapaz de liderar a integração regional. O ataque às sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023 foi o corolário prático dessa importação ideológica, demonstrando a força da desinformação como ferramenta de ruptura institucional.


Entre 2022 e 2026 observamos um rearranjo de forças: decisões judiciais que afastaram figuras centrais do processo eleitoral, no caso a inelegibilidade de lideranças que encabeçaram o movimento original, forçaram a direita a um processo de sucessão e pulverização que ao invés de enfraquecer o campo conservador, gerou um laboratório de “novas lideranças”, explico. Governadores de perfil mais tecnocrático e administrativo passaram a absorver o espólio eleitoral do movimento, tentando equilibrar o pragmatismo da gestão estadual com acenos à base ideológica mais radical. Simultaneamente, parlamentares e políticos com forte presença digital assumiram o papel de linha de frente da oposição no Congresso, garantindo a mobilização constante das bases por meio de pautas voltadas à segurança pública e à limitação de direitos reprodutivos e de minorias.  


A descentralização reduziu a dependência de um único líder carismático e o movimento compreendeu que o controle do orçamento legislativo e das ferramentas regimentais oferece um poder de veto e de formulação de políticas públicas muitas vezes superior ao do próprio Executivo. Assim, a extrema direita que se apresenta às urnas em 2026 não é mais uma insurgência contra as instituições, mas uma força que opera as engrenagens institucionais para normalizar e avançar a sua agenda ideológica e interesses específicos, mesmo que tal fato necessite da ampliação do alinhamento ideológico com forças externas, como os EUA.


Eleições de 2026 e suas ressonâncias até o momento


            Em vez de depender de um único vetor de insatisfação social, a extrema direita estruturou uma plataforma multifacetada capaz de unificar diferentes estratos demográficos e econômicos. Tal base de mobilização operou por meio da articulação de três eixos fundamentais, a saber: a) a guerra cultural em defesa de valores tradicionais, b) o alinhamento pragmático com princípios de livre mercado e c) a adoção de uma gramática punitivista voltada à segurança pública. 


            A guerra cultural em defesa dos “valores tradicionais” continua a explorar a narrativa de que instituições tradicionais (principalmente a família e a religião cristã) encontram-se sob ameaça de “agendas progressistas” estruturadas em torno de direitos humanos, debates sobre gênero e pautas ambientais. Ao enquadrar o debate político como uma disputa moral ou existencial, as lideranças da extrema direita conseguiram engajar parcelas expressivas do eleitorado, especialmente segmentos evangélicos e católicos tidos como mais conservadores. Além de mobilizar o eleitorado, tal “guerra cultural” materializou-se em projetos de lei no Congresso Nacional que visam restringir direitos reprodutivos, alterar diretrizes educacionais e limitar o reconhecimento de identidades de gênero, mantendo a base de apoiadores em estado de mobilização permanente.


Se a pauta moral garante a mobilização popular, a aliança com o liberalismo econômico assegura o apoio, o financiamento e a legitimidade perante as elites produtivas e financeiras: a extrema direita forjou um pacto pragmático com o mercado ao encampar agendas de desregulamentação, privatizações, flexibilização de leis trabalhistas e ambientais, e redução da carga tributária. Em 2026 essa simbiose é particularmente visível na aliança estratégica com o agronegócio e com setores do empresariado em diferentes regiões do país, já que para esses grupos o apoio ao conservadorismo radical é frequentemente justificado não necessariamente pela adesão total à pauta de costumes, mas sim pela garantia de um ambiente de negócios com menor interferência estatal e pela oposição frontal às políticas intervencionistas associadas à esquerda.


A pauta da segurança pública converteu-se em um dos vetores de atração eleitoral mais potentes da direita. Encabeçado por destaques aos índices de violência urbana e à insegurança crônica observada sobretudo nos grandes centros urbanos, o discurso punitivista elaborado pelo movimento baseia-se na premissa da restauração da ordem por meio do endurecimento penal, do respaldo irrestrito à atuação das forças de segurança (incluindo a flexibilização do uso de força letal) e da defesa do armamento civil como um direito à autodefesa. Lideranças associadas às polícias militares e civis têm se consolidado, desde o ciclo eleitoral anterior, como figuras políticas proeminentes sob a retórica de “ordem” que opera com uma lógica de tolerância zero, enquadrando os direitos humanos como obstáculos à eficiência policial e oferecendo respostas diretas e imediatas aos anseios de uma população vulnerável à criminalidade.


Chegamos ao segundo turno da eleição presidencial brasileira de 2026 em meio à polarização das forças políticas no contexto nacional e às discussões sobre a interferência externa (focada na ação do governo de Trump e nas ações das big techs), bem como à soberania brasileira e a exploração dos minerais críticos.


O debate sobre os minerais críticos e a transição energética assumiu um papel central nas eleições presidenciais brasileiras de 2026, estando diretamente ligado ao tema soberania nacional. Os minerais críticos e estratégicos são considerados essenciais para a economia, a segurança alimentar, a defesa militar e a transição energética global; e dessa forma a gestão destes recursos é vista como um vetor de autonomia e de projeção internacional para o país.


Enquanto o candidato Luiz Inácio Lula da Silva assume o compromisso de assegurar que as riquezas minerais e energéticas contribuam para a soberania nacional e para a transição energética; o candidato da extrema direta, Flávio Bolsonaro, foca a sua estratégia na aceleração da exploração mineral, no destravamento de direitos minerários e na aceleração do licenciamento ambiental.


Lula defende a manutenção do Brasil aberto a acordos com diversos parceiros globais (incluindo a China, a Índia, a União Europeia) e seu plano não estipula a flexibilização do licenciamento para a mineração, mas exige que os grandes acordos de exploração contemplem a transferência de tecnologia, a atração de investimentos e a criação de centros de investigação locais. Aqui fica evidente a preocupação em garantir que o acesso a tal recurso natural deve assegurar a soberania e proteger o país de acordos comuns em governos neoliberais em que riquezas naturais costumam ser exploradas sem que exista um benefício direto para os países detentores das mesmas. A aprovação recente da Política Nacional de Minerais Críticos, Estratégicos e Terras Raras[5] (a Lei 15.506, de 2026), ainda em setembro de 2026, aponta a preocupação com relação à garantia de que os recursos oriundos das terras brasileiras, sobretudo os minerais críticos, sejam geridos por iniciativas nacionais, evitando a ação especulativa do capital estrangeiro.  


Considerações: a encruzilhada democrática brasileira e a questão regional


O ciclo eleitoral de 2026 cristaliza a transição da extrema direita de um movimento de insurgência retórica para uma força estrutural nas disputas de poder institucional no Brasil. As eleições atuais demonstram que o xadrez político nacional é ditado não apenas pela polarização presidencial, mas pelas complexas negociações nos âmbitos legislativo e estadual. Nesse cenário, o comportamento dos partidos de centro e as estratégias de contenção do campo progressista revelam os desafios de operar em um ambiente de hiperpolarização e fragmentação partidária.


 A constatação de que algoritmos desenhados no Vale do Silício têm o poder de eleger presidentes no Sul Global levou a um esforço renovado nas discussões por regulação de plataformas (Zanatta, 2023). O enfrentamento jurídico e legislativo contra as Big Techs — visando responsabilizá-las pela disseminação de campanhas de desinformação coordenadas — é visto não apenas como uma pauta de saúde pública, mas como uma defesa central da soberania nacional, evitando que a política regional seja ditada pelas regras corporativas do Norte (Cesarino, 2022; Zanatta, 2023).


A ascensão da chamada “onda laranja” não é uma simples coincidência de fatores domésticos que conduziram às populações dos países da região a uma mudança eleitoral, mas sim o sintoma de uma reengenharia geopolítica onde os Estados Unidos substituíram as antigas intervenções militares diretas por um soft power digital e institucional altamente sofisticado.


O destino democrático do Brasil dependerá de sua capacidade de construir uma integração regional robusta e uma soberania digital efetiva (Zanatta, 2023), evitando que o continente seja relegado à velha condição de quintal das disputas imperiais.

 

Referências Bibliográficas

BORGES, Camila; PEREIRA, Carlos. A atuação da Atlas Network na América Latina e o financiamento de think tanks ultraliberais. Revista de Estudos Internacionais e Geopolítica, v. 12, n. 2, 2022.

CESARINO, Letícia. O mundo do avesso: Verdade e política na era digital. São Paulo: Ubu Editora, 2022.

DA EMPOLI, Giuliano. Os Engenheiros do Caos: Como as fake news, as teorias da conspiração e os algoritmos estão sendo utilizados para disseminar ódio, medo e influenciar eleições. São Paulo: Vestígio, 2019.

STUENKEL, Oliver. O Mundo Pós-Ocidental: Como as potências emergentes estão reordenando o sistema global. Rio de Janeiro: Zahar, 2018.


Flávia Abud Luz

Professora de Relações Internacionais. Doutora em Ciências Humanas e Sociais pela UFABC. Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Esp. em Política e Relações Internacionais pela FESPSP e Bacharel em Relações Internacionais pela FAAP. Áreas de interesse: Teorias pós-coloniais, Relações Sociais de Gênero, Direitos Humanos e Movimentos de Mulheres, Conflitos Internacionais, Política e Religião, especialmente temas relacionados ao Oriente Médio (sub-áreas Levante e Golfo Pérsico); política doméstica libanesa.  Autora dos livros " Feminismo Islâmico, Movimentos Sociais e a Reconstrução dos Direitos das Mulheres no Marrocos (Editora Appris, 2025)" e "A apropriação dos conceitos de martírio e jihad pelo Hezbollah e a questão da violência como resistência (Editora Appris, 2020)". Atualmente desenvolve pesquisa acerca das relações entre gênero, religião e Relações Internacionais. Integrante dos grupos de pesquisa Ylê-Educare: Educação e Questões Étnico-Raciais (PPGE/Uninove); Gina - Grupo de Pesquisa em Gênero, Raça e Interseccionalidades; Direito à Educação, Direitos Humanos e Políticas Públicas (UNIAN/SP); Grupo de Estudos e Pesquisa em Movimentos, Interseccionalidade e Políticas Educacionais na América Latina - GEMINAL (Univas/MG). É filiada à Associação Brasileira de Relações Internacionais (ABRI).


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