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A Globalização e a Identidade Cultural: Perspectivas Psicológicas nas Relações Internacionais

A globalização tem sido um fenômeno central no cenário hodierno, promovendo uma intensa interconexão entre sociedades, culturas e economias ao redor do globo. No entanto, esse processo não ocorre sem consequências psicológicas significativas, especialmente no que diz respeito às identidades culturais e às relações interculturais. Este artigo propõe uma análise dos efeitos psicológicos da globalização nessas áreas, explorando questões como aculturação, xenofobia e nacionalismo.


Fala-se frequentemente em globalização como se se tratasse apenas de um fenómeno económico. Muitas vezes a análise centra-se no papel das transnacionais, cujas gigantescas operações ultrapassam as fronteiras dos países, influenciando os processos globais de produção e distribuição internacional do trabalho.


Com o avanço da tecnologia, das comunicações e do comércio internacional, as fronteiras tornaram-se mais permeáveis, facilitando a interconexão e a interdependência entre as nações. No entanto, esse processo de integração global não ocorre de forma homogênea e muitas vezes, desencadeia desafios para as identidades culturais individuais e coletivas.


Aculturação e Identidade Cultural


A aculturação refere-se ao processo pelo qual indivíduos de diferentes culturas entram em contacto e adaptam-se mutuamente às características culturais um do outro. A identidade Cultural é um conceito complexo que abrange diversos aspectos da personalidade e da vida social de uma pessoa. Na sua essência, a identidade cultural é o modo como uma pessoa se vê em relação à sua cultura nacionalidade, país, etnia, incuindo a sua história, suas tradições, sua língua e sua relação com a família e com a comunidade.


Sob a influência da globalização, as comunidades são cada vez mais expostas a culturas estrangeiras através de meios de comunicação, migração e intercâmbio cultural. Isso pode levar a mudanças na identidade cultural dos indivíduos e das comunidades, à medida que incorporam elementos de outras culturas em sua própria identidade.


A identidade cultural é fundamental para a compreensão das relações internacionais, pois influencia a forma como os países interagem e se relacionam entre si. Cada sociedade possui uma história, valores, crenças, tradições e práticas culturais únicas, que moldam a sua identidade colectiva e influenciam suas políticas externas. A globalização pode ameaçar essa identidade cultural ao promover a homogeneização cultural e a disseminação de valores e padrões dominantes, muitas vezes provenientes dos países mais desenvolvidos.


No entanto, a aculturação nem sempre é um processo tranquilo. Indivíduos podem experimentar conflitos de identidade à medida que tentam conciliar diferentes valores, crenças e práticas culturais. Além disso, a pressão para assimilar-se à cultura dominante pode levar à perda de identidade cultural e ao deslocamento cultural, o que pode resultar em estresse psicológico e alienação.


Xenofobia e Intolerância


Xenofobia e intolerância são dois fenômenos sociais que têm sido objecto de preocupação e análise em diversas áreas, incluindo sociologia, psicologia, ciência política e direitos humanos.


A xenofobia muitas vezes surge da falta de compreensão, ignorância ou insegurança em relação ao desconhecido. Factores como competição por recursos, mudanças econômicas, políticas de imigração restritivas, mídia sensacionalista e discursos políticos polarizadores podem contribuir para o aumento da xenofobia em uma sociedade.


Combatê-la requer educação, sensibilização, promoção da diversidade, leis antidiscriminação eficazes e esforços para promover a integração de pessoas de diferentes origens culturais.


 A intolerância muitas vezes surge da rigidez de pensamento, falta de empatia, educação limitada, influências sociais e culturais, bem como discursos de ódio disseminados por indivíduos ou grupos com agendas políticas ou ideológicas específicas.


Paralelamente ao processo de aculturação, a globalização também pode intensificar sentimentos de xenofobia e intolerância em relação a grupos étnicos, religiosos ou culturais considerados como "outros". A exposição a diferentes culturas pode desencadear medo do desconhecido e ameaça percebida à identidade cultural própria. Isso pode levar à adoção de atitudes hostis e preconceituosas em relação a grupos minoritários, contribuindo para a polarização e o conflito intercultural.


A xenofobia não apenas prejudica as relações entre grupos culturais, mas também tem impactos negativos na saúde mental dos indivíduos envolvidos. Sentimentos de ódio, medo e discriminação podem gerar estresse crônico, ansiedade e depressão, prejudicando o bem-estar psicológico e a qualidade de vida.


Nacionalismo e Identidade Colectiva


A globalização também desencadeia reações nacionalistas em muitas sociedades, como uma resposta à percepção de ameaça à identidade nacional e à soberania cultural. O nacionalismo é frequentemente mobilizado como uma forma de reafirmar a coesão social e preservar as tradições culturais frente à homogeneização cultural associada à globalização.


A psicologia social pode examinar como a percepção de ameaça à identidade cultural influencia as atitudes e comportamentos dos indivíduos em relação a outras culturas e países. Estudos mostram que a ameaça à identidade pode levar a reações defensivas, como o aumento do nacionalismo e do preconceito intergrupal, mas também pode estimular processos de identificação e solidariedade entre grupos culturais.


No entanto, o nacionalismo exacerbado pode levar a formas extremas de exclusividade e tribalismo, exacerbando divisões sociais e restringindo a tolerância intercultural. Além disso, a identificação excessiva com a nação pode limitar a capacidade dos indivíduos de se engajarem em diálogos interculturais construtivos e de desenvolverem uma identidade global mais inclusiva.


Em suma, a globalização desencadeia uma série de dinâmicas psicológicas complexas que moldam as identidades culturais individuais e coletivas, bem como as relações interculturais. Ao analisar questões como aculturação, xenofobia e nacionalismo, podemos desenvolver uma compreensão mais profunda dos desafios e oportunidades associados à interação cultural em um mundo globalizado. A promoção da empatia, da compreensão mútua e do respeito à diversidade cultural é essencial para mitigar os impactos negativos da globalização e construir sociedadebs mais inclusivas e harmoniosas. 


Uma abordagem que integra a globalização, a identidade cultural e as perspectivas psicológicas nas relações internacionais pode oferecer uma compreensão mais abrangente e profunda dos desafios e oportunidades que surgem nesse cenário global em constante mudança. Essa análise pode informar políticas e práticas que promovam o diálogo intercultural, a diversidade cultural e a cooperação internacional, contribuindo para um mundo mais justo, pacífico e sustentável.



Gomes Dias, nasceu e vive em Angola, na província de Luanda. É Secretário-Adjunto da Assembleia, da Juventude Unida dos País de Língua Portuguesa (JUPLP). É também membro associado júnior da Associação Angolana dos Profissionais de Comunicação Institucional (AAPCI), desde 05 de Junho de 2023. É finalista da licenciatura em Comunicação pela Universidade Agostinho Neto (UAN). Trabalha de forma autónoma como pesquisador. 

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BIBLIOGRAFIA:

  • Doron, R., & Parot, F. (2001). Dicionário de Psicologia. Lisboa, Portugal: Climepsi Editores.

  • Barracho, C. (2011). Psicologia Política . Lisboa: Escolar Editora.

  • Johnson, A. G. (1997). Dicionário de Sociologia: Guia Prática da Linguagem Sociológica. Rio de Janeiro, Brasil: Jorge Zahar Ed.

  • GIDDENS, A. (2006). O Mundo na Era da Globalização. Lisboa: Editorial Presença.

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