top of page

O Mito da Globalização

  • Foto do escritor: CERES
    CERES
  • há 2 horas
  • 11 min de leitura

Durante décadas, a globalização foi concebida como um dos principais vetores de transformação positiva do sistema internacional. A crença predominante entre acadêmicos e formuladores de políticas era a de que a intensificação dos fluxos de bens, serviços, capitais e pessoas promoveria crescimento econômico e maior estabilidade política. A interdependência entre os Estados, ao criar interesses compartilhados, reduziria incentivos ao conflito e consolidaria uma ordem internacional mais cooperativa. Nesse sentido, a globalização integraria o mundo e o tornaria mais pacífico.


Essa visão encontrou respaldo empírico nas últimas décadas do século XX e início do XXI. Economias emergentes passaram a crescer de forma acelerada, impulsionadas por exportações e pela inserção em cadeias globais de valor. A expansão do comércio internacional contribuiu para a formação de classes médias em diversos países, enquanto empresas multinacionais ampliaram sua presença global. À primeira vista, parecia que o mundo caminhava, ainda que de forma desigual, para uma convergência econômica e política.


A falha distributiva


Apesar dos ganhos agregados, a globalização revelou uma fragilidade na incapacidade de distribuir benefícios de maneira equitativa dentro das próprias sociedades, sobretudo nas economias avançadas. Embora o aumento da eficiência produtiva e a expansão do comércio internacional tenham elevado o nível geral de riqueza, esses ganhos foram altamente concentrados. Setores intensivos em mão de obra, particularmente as manufaturas tradicionais, tornaram-se os principais perdedores desse processo, à medida que a concorrência internacional, especialmente de países com custos mais baixos, pressionou empresas a reduzir custos, automatizar processos ou simplesmente deslocar suas operações para o exterior. Esse movimento eliminou empregos e desestruturou regiões inteiras cuja identidade econômica e social estava ancorada na indústria.


O impacto foi, portanto, econômico, social e político. Diferentemente de transições econômicas anteriores, nas quais novos setores absorviam rapidamente a força de trabalho deslocada, a reabsorção nesses casos foi lenta, incompleta e desigual. Muitos trabalhadores não possuíam as qualificações exigidas pelos novos setores, frequentemente mais intensivos em tecnologia e conhecimento, o que resultou em trajetórias marcadas por subemprego, informalidade ou saída definitiva do mercado de trabalho. Enquanto isso, os benefícios da globalização se manifestavam de forma difusa e, muitas vezes, invisível no cotidiano. Consumidores passaram a ter acesso a uma maior variedade de produtos a preços mais baixos, e empresas aumentaram suas margens e competitividade global. No entanto, esses ganhos não eram percebidos com a mesma intensidade que as perdas concentradas. Os custos são localizados e visíveis; os benefícios, dispersos. Essa assimetria contribuiu para a construção de uma narrativa negativa em torno da globalização, mesmo que, em termos agregados, ela tenha gerado ganhos líquidos.


A ausência de políticas públicas eficazes amplificou esse desequilíbrio. Em muitos países desenvolvidos, houve um enfraquecimento progressivo das redes de proteção social justamente no momento em que elas se tornavam mais necessárias. Programas de requalificação profissional foram insuficientes ou mal direcionados, sistemas tributários falharam em redistribuir os ganhos de forma significativa, e políticas de desenvolvimento regional não conseguiram revitalizar áreas afetadas pela desindustrialização. Como resultado, a globalização passou a ser associada a uma sensação mais ampla de abandono por parte do Estado.


Esse descompasso entre eficiência econômica e legitimidade social tornou a globalização politicamente vulnerável. Problemas complexos, como o impacto da automação, a financeirização da economia ou políticas fiscais que favoreciam a concentração de renda, foram frequentemente reduzidos a uma única causa visível, a concorrência externa. A partir desse cenário, líderes políticos e movimentos passaram a instrumentalizar esse descontentamento. A globalização foi enquadrada como uma força externa, quase predatória, responsável por fragilizar economias nacionais e ameaçar a soberania dos Estados. Essa narrativa encontrou terreno fértil em sociedades marcadas por insegurança econômica e desconfiança institucional. Ao oferecer explicações simples para problemas complexos, ela permitiu a mobilização política de amplos segmentos da população.


Essa politização teve consequências diretas na formulação de políticas econômicas. Medidas protecionistas, como tarifas, restrições a investimentos estrangeiros e incentivos à produção doméstica, ganharam legitimidade política e passaram a ser apresentadas como mecanismos de defesa nacional. A política econômica, nesse contexto, passou a incorporar de forma mais explícita considerações de identidade, soberania e segurança. No entanto, o paradigma anterior, baseado na ideia de que o comércio internacional gera ganhos mútuos e interdependência benéfica, foi progressivamente substituído por uma visão mais conflitiva. A globalização deixou de ser vista como um jogo de soma positiva, no qual todos podem ganhar, e passou a ser interpretada como um jogo de soma zero, no qual o ganho de uns ocorre necessariamente à custa de outros.


Essa mudança de percepção é crucial, pois altera as políticas adotadas, as expectativas e comportamentos dos atores econômicos e políticos. Quando a globalização é percebida como excludente e injusta, sua legitimidade se erode, abrindo espaço para respostas que, ao tentar corrigir suas falhas, podem acabar aprofundando a fragmentação econômica e política. Nesse sentido, a crise da globalização é, ao mesmo tempo, material e narrativa, pois decorre tanto de seus efeitos concretos quanto da forma como esses efeitos são interpretados e mobilizados no debate público.


Rivalidade entre Estados Unidos e China


A transformação da globalização pode ser observada de forma emblemática na relação entre Estados Unidos e China. Nas décadas iniciais do século XXI, a integração econômica entre os dois países era vista como mutuamente benéfica. A entrada da China na economia global, após sua adesão à OMC, intensificou o comércio e aprofundou os laços financeiros entre as duas potências. Empresas americanas expandiram suas cadeias produtivas para o território chinês, aproveitando custos mais baixos, enquanto a China consolidava sua posição como principal plataforma manufatureira do mundo. Nesse contexto, a interdependência era interpretada como um mecanismo de estabilização. Quanto maior o nível de integração, menor o incentivo ao conflito.


Contudo, essa relação passou a revelar tensões profundas. O aumento do déficit comercial dos Estados Unidos, a perda de empregos industriais e as práticas econômicas chinesas, como subsídios estatais, exigências de joint ventures e restrições ao acesso de empresas estrangeiras, alimentaram percepções de competição desleal. O chamado “choque da China” tornou-se um símbolo dos custos da globalização para trabalhadores americanos, especialmente em regiões industriais afetadas pela deslocalização produtiva. A interdependência, que antes era vista como um ativo, passou gradualmente a ser percebida como fonte de vulnerabilidade.


Essa mudança de percepção ganhou forma concreta durante os governos de Donald Trump. Os Estados Unidos iniciaram uma guerra comercial ao impor tarifas sobre centenas de bilhões de dólares em produtos chineses, sob o argumento de corrigir práticas desleais e reduzir o déficit comercial. A resposta de Pequim foi imediata, com tarifas retaliatórias sobre produtos americanos, inaugurando um ciclo de escalada que rompeu com a lógica anterior de liberalização comercial. O comércio bilateral, que antes simbolizava cooperação, passou a ser utilizado como instrumento de pressão política. Paralelamente, a rivalidade se expandiu para o campo tecnológico. O governo americano já impôs restrições severas à Huawei, proibindo empresas dos Estados Unidos de fornecer componentes e software essenciais. A justificativa foi baseada em preocupações de segurança nacional, refletindo o temor de que a infraestrutura tecnológica pudesse ser utilizada para fins estratégicos pelo governo chinês.


Sob a liderança de Xi Jinping, a China respondeu intensificando sua estratégia de autonomia econômica e tecnológica. Investimentos maciços em inovação doméstica e políticas industriais voltadas à autossuficiência passaram a ocupar o centro da agenda econômica. Ao mesmo tempo, as tensões se ampliaram com a imposição de controles americanos sobre a exportação de semicondutores avançados e equipamentos de fabricação, restringindo o acesso chinês a tecnologias críticas. Em resposta, Pequim passou a utilizar sua posição dominante em cadeias estratégicas, como a de terras raras, como instrumento de barganha, evidenciando a crescente instrumentalização econômica da interdependência.


Esse ambiente de desconfiança também impactou o comportamento das empresas multinacionais. Gigantes como a Apple passaram a diversificar suas cadeias produtivas, deslocando parte da produção para países como Índia e Vietnã, em uma estratégia de redução de risco geopolítico. Ao mesmo tempo, empresas chinesas buscaram novas rotas de inserção internacional, investindo em países com maior acesso ao mercado americano, como México e economias do Sudeste Asiático. A lógica de eficiência pura, baseada em custos, foi substituída por uma lógica híbrida, na qual segurança e alinhamento político passaram a desempenhar papel central.


Gradualmente, a interdependência econômica passou a ser interpretada como um risco estratégico. A globalização se apresenta como campo de disputa estratégica, refletindo a transição de um modelo de integração para um cenário de fragmentação e competição.


A fragmentação da globalização


Longe de desaparecer, a globalização entrou em uma nova fase caracterizada pela fragmentação. Diferentemente do modelo anterior, orientado principalmente pela eficiência econômica, a nova configuração é fortemente influenciada por considerações geopolíticas. Decisões empresariais e políticas públicas passam a priorizar segurança, resiliência e alinhamento. Essa mudança reflete uma reinterpretação das vulnerabilidades reveladas nas últimas décadas, desde crises financeiras até rupturas nas cadeias de suprimentos e, sobretudo, a intensificação da rivalidade entre grandes potências, como os Estados Unidos e a China sob a liderança de Xi Jinping.


Nesse contexto, práticas como “reshoring” e “friend-shoring” ganham relevância. Empresas buscam relocalizar suas cadeias produtivas, aproximando-se de seus países de origem ou de aliados políticos, mesmo que isso implique custos mais elevados. Governos, por sua vez, abandonam parcialmente a postura liberal clássica e passam a adotar políticas industriais mais assertivas. A lógica é reduzir dependências consideradas críticas, especialmente em setores sensíveis como energia, defesa e tecnologia avançada.


Essa reconfiguração, no entanto, não ocorre de maneira uniforme nem sem custos. A fragmentação das cadeias globais implica a duplicação de estruturas produtivas, a perda de economias de escala e o aumento do custo final de bens e serviços. Isso pode resultar em cadeias menos eficientes e mais caras, impactando consumidores e reduzindo o dinamismo econômico global. Além disso, a fragmentação introduz novas formas de instabilidade. Ao substituir a interdependência ampla por redes mais restritas e politicamente alinhadas, o sistema internacional tende a se dividir em blocos. Essa dinâmica pode reduzir a cooperação entre países e aumentar a probabilidade de disputas comerciais e tecnológicas. Paradoxalmente, ao tentar mitigar riscos específicos, como a dependência de um único fornecedor ou país, essa nova forma de globalização pode ampliar riscos sistêmicos, ao enfraquecer os mecanismos que antes incentivavam a cooperação e a moderação de conflitos.


A cooperação econômica, que anteriormente atuava como um freio às rivalidades políticas, perde parte de sua capacidade moderadora. O resultado é um sistema internacional mais volátil, no qual crises podem se propagar com maior rapidez e onde a previsibilidade das relações econômicas é significativamente reduzida. As implicações dessa transformação são particularmente preocupantes para países em desenvolvimento. Historicamente, a integração às cadeias globais de valor foi um dos principais motores de industrialização e crescimento. Países asiáticos, por exemplo, conseguiram elevar rapidamente seus níveis de renda ao se inserir em redes produtivas globais, inicialmente em segmentos de menor valor agregado e, gradualmente, avançando para atividades mais sofisticadas. Esse modelo dependia de um ambiente internacional relativamente aberto, no qual barreiras comerciais eram reduzidas e investimentos fluíam com maior liberdade.


Com a fragmentação da globalização, esse caminho torna-se mais incerto. A reorganização das cadeias produtivas com base em alinhamentos geopolíticos pode excluir países que não estejam inseridos em blocos estratégicos relevantes. Além disso, políticas industriais adotadas por economias avançadas, muitas vezes com forte apoio estatal, podem dificultar a competição de países em desenvolvimento, que dispõem de menos recursos para subsidiar seus setores produtivos. Barreiras comerciais, exigências regulatórias e critérios políticos passam a limitar o acesso a mercados, reduzindo as oportunidades de inserção internacional.


O resultado potencial é a cristalização de uma nova hierarquia global, na qual as oportunidades de ascensão econômica se tornam mais restritas. Em vez de um sistema aberto que permite mobilidade relativa entre países, a fragmentação pode consolidar divisões estruturais, perpetuando desigualdades e dificultando trajetórias de convergência. A nova fase da globalização, embora responda a preocupações legítimas de segurança e resiliência, carrega consigo o risco de enfraquecer um dos principais mecanismos históricos de desenvolvimento econômico para grande parte do mundo.


Reforma


Diante desse cenário de fragmentação, tensões geopolíticas e perda de legitimidade social, a resposta não deve ser o abandono da globalização, mas sim sua reformulação profunda. A experiência das últimas décadas demonstra que, apesar de seus benefícios agregados, a globalização falhou em distribuir seus ganhos de maneira equilibrada e em criar mecanismos institucionais capazes de sustentar seu próprio funcionamento no longo prazo. Reformá-la, portanto, não é apenas desejável, é necessário para evitar que suas distorções comprometam definitivamente seus potenciais positivos.


No plano doméstico, o ponto de partida é reconhecer que mercados abertos e integração internacional geram vencedores e perdedores. A ausência de políticas eficazes para lidar com esse desequilíbrio foi um dos principais fatores que corroeram o apoio político à globalização. Nesse sentido, torna-se fundamental fortalecer redes de proteção social, ampliar investimentos em educação e requalificação profissional e desenvolver políticas públicas que facilitem a transição de trabalhadores entre setores. Criar condições para que indivíduos possam se reinserir em novas dinâmicas econômicas, especialmente em setores intensivos em tecnologia e conhecimento. Além disso, políticas fiscais e tributárias mais progressivas podem desempenhar um papel central na redução das desigualdades exacerbadas pela globalização. Em muitos países, a concentração de renda e riqueza foi intensificada por estruturas tributárias regressivas e por uma regulação insuficiente de mercados financeiros. Corrigir essas distorções é essencial para promover justiça social e para restaurar a legitimidade política de um sistema econômico aberto.


No plano internacional, a reforma da globalização exige a revitalização das instituições multilaterais, cuja credibilidade e eficácia foram progressivamente erodidas. Organizações como a OMC precisam recuperar sua capacidade de arbitrar disputas e garantir o cumprimento de regras de forma consistente e imparcial. Isso implica, inclusive, a disposição de enfrentar práticas desleais tanto de grandes potências quanto de economias menores, evitando a percepção de seletividade ou politização. Da mesma forma, instituições financeiras internacionais como o IMF e o Banco Mundial devem adaptar suas estruturas de governança para refletir melhor o peso crescente das economias emergentes. Sem representatividade adequada, tais instituições tendem a perder legitimidade e, consequentemente, capacidade de coordenação.


Outro elemento central dessa reforma é a necessidade de estabelecer regras mais claras e equilibradas para temas que ganharam relevância estratégica, como tecnologia, fluxos de dados, investimentos e políticas industriais. A ausência de consensos nesses campos tem contribuído para a escalada de disputas entre países, como evidenciado nas tensões entre Donald Trump e Xi Jinping. Criar mecanismos de cooperação que conciliem interesses econômicos com preocupações de segurança será um dos maiores desafios da próxima fase da globalização. A sustentabilidade da globalização dependerá de sua capacidade de equilibrar três dimensões fundamentais: eficiência econômica, coesão social e estabilidade política. Ignorar qualquer uma delas tende a gerar desequilíbrios que, como visto, podem comprometer todo o sistema.


Conclusão


O sistema internacional atual não é menos globalizado, mas sim globalizado de forma diferente. Mais seletivo, mais politizado e mais condicionado por interesses estratégicos. Fluxos de comércio, capital e tecnologia continuam intensos, mas são cada vez mais filtrados por critérios geopolíticos, refletindo uma ordem internacional em processo de reconfiguração. O desafio contemporâneo, portanto, é decidir sob quais bases a globalização pode operar de maneira mais equilibrada e sustentável. Isso exige reconhecer tanto seus benefícios quanto suas falhas, evitando narrativas simplificadoras que a tratam exclusivamente como solução ou como problema. Se bem gerida, a globalização ainda pode contribuir significativamente para o crescimento econômico, a inovação e a cooperação internacional. Caso contrário, corre o risco de se tornar mais um vetor de divisão em um sistema já tensionado por disputas de poder e crises recorrentes.


Nesse contexto, o futuro da globalização permanece em aberto. Ele será moldado por escolhas políticas, institucionais e estratégicas. A forma como governos, empresas e sociedades responderão aos desafios atuais, desde desigualdades internas até rivalidades entre grandes potências, determinará se a próxima fase da globalização será capaz de recuperar seu potencial integrador ou se consolidará uma dinâmica de fragmentação duradoura. Entre integração e conflito, o mundo se encontra em um ponto de inflexão. O desfecho dessa trajetória dependerá da capacidade coletiva de reformar, e não abandonar, um dos processos mais transformadores da história contemporânea.


Referências

K. O’Neil, Shannon . “It’s Not Deglobalization, It’s Regionalization.” Yale University Press, 2023, yalebooks.yale.edu/2023/10/26/its-not-deglobalization-its-regionalization/.

---. “The Globalization Myth.” Council on Foreign Relations, 2022, www.cfr.org/articles/globalization-myth.

Manak, Inu, et al. “A Year after “Liberation Day,” Experts Review the Costs of Trump’s Tariffs.” Council on Foreign Relations, 2026, www.cfr.org/articles/a-year-after-liberation-day-experts-review-the-costs-of-trumps-tariffs.

Prasad, Eswar. “How Geopolitics Overran Globalization.” Foreign Affairs, 2026, www.foreignaffairs.com/united-states/how-geopolitics-overran-globalization.


João Pedro Nascimento, Bacharel em Relações Internacionais, com pós-graduação em Políticas Públicas. Com experiência em internacionalização de negócios, expansão para mercados externos, negociações internacionais e gestão estratégica de parcerias. É consultor em política externa e economia internacional, além de sócio de um escritório de assessoria financeira, conectando empresas e investidores a oportunidades globais por meio de análise de cenários, avaliação de riscos e estruturação estratégica. Fundador do RI Talks, espaço independente de análise e debate sobre o cenário nacional e internacional.

Comentários


NOSSOS HORÁRIOS

Segunda a Sábado, das 09:00 às 19h.

VOLTE SEMPRE!

NOSSOS SERVIÇOS

Siga nossas redes sociais!

  • Facebook
  • Twitter
  • YouTube
  • Instagram

O CERES é uma plataforma para a democratização das Relações Internacionais onde você é sempre bem-vindo!

- Artigos

- Estudos de Mercado

- Pesquisas

- Consultoria em Relações Internacionais

- Benchmarking

- Palestras e cursos

- Publicações

© 2021 Centro de Estudos das Relações Internacionais | CERESRI - Imagens By Canvas.com - Free Version

bottom of page