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A Narrativa de Karbala no Século XXI: o significado político da Ashura nos conflitos de 2026 no Líbano e Irã

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    CERES
  • há 2 dias
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                                                                                                          Flávia Abud Luz  


As cerimônias do mês Muharam, sagrado para os xiitas em todo o mundo, ganharam em 2026 contornos que transcendem o rito religioso tradicional:  nas cidades ao sul de Beirute, no Vale Bekaa e nas principais praças de Teerã as pessoas vestidas de preto e que entoam palavras de murmúrio não marcharam apenas para lamentar o martírio do Imam Hussein, ocorrido no século VII. Ao caminharam entre os escombros deixados pelas mais recentes campanhas militares que abalaram o Líbano e o Irã no primeiro semestre de 2026 as pessoas demonstraram mais uma vez que a narrativa de Karbala realmente se consolidou como a plataforma mais visceral de comunicação política, mobilização psicossocial e legitimação da resistência armada na região.

Para além do luto, a performance ritualística da Ashura (o décimo dia do mês Muharam) opera através do chamado Paradigma de Karbala ao reatualizar constantemente a narrativa fundacional onde uma força numericamente inferior escolhe o sacrifício e a morte em detrimento da submissão a um tirano opressor. No tabuleiro geopolítico contemporâneo, a retórica do Hezbollah e do regime de Teerã realiza uma transposição direta desse mito para a realidade imediata: a assimetria tecnológica e militar das forças ocidentais e israelenses é lida através da lente do califa Yazid, enquanto a resiliência civil e os comandantes mortos nos ataques recentes são elevados à categoria de mártires de uma Karbala moderna.

A intenção do presente texto é analisar como as celebrações do mês Muharam podem ser um instrumento de dissuasão psicológica e coesão interna, ou seja, as práticas cerimonias não são apenas ritos de luto passivo, explico. Argumenta-se aqui que enquanto analistas ocidentais e/ou formuladores de política medem o impacto dos conflitos pelo poder bélico, perdas de infraestrutura ou sanções econômicas, o Eixo da Resistência recalibra o conflito no campo imaterial. Ao fundir o trauma da guerra recente ao sofrimento sagrado e histórico, a Ashura transforma a vulnerabilidade material em imperativo moral de sobrevivência, demonstrando que o verdadeiro centro de gravidade desse conflito reside na inesgotável capacidade de conferir significado político ao martírio. Assim, da mesma maneira que Hussein teria se entregado ao martírio para reorientar a comunidade muçulmana aos seus ideais de verdade e justiça, liberando-a da corrupção política instaurada pelo califado de Yazid, ainda nas últimas décadas do século VII.

Ao explorar as dinâmicas acima, busco contribuir para uma reflexão crítica sobre as relações entre guerra, poder e mobilização social nas Relações Internacionais contemporâneas.


A narrativa de Karbala no imaginário político, social e religioso das comunidades xiitas 


No ano de 680 d.C., Hussein (neto do Profeta Muhammad) deixou Meca rumo a Cufa com um grupo de seguidores, acompanhados de suas famílias. A intenção dele era unir forças com a população local contra o governo do califa Yazid e a dinastia Omíada, buscando reconduzir a comunidade muçulmana para uma prática política e religiosa mais autêntica, vinculada aos ensinamentos e experiências vivenciadas pelo Profeta Muhammad e os demais membros da comunidade inicial. No entanto, a reação de Yazid foi imediata; visto que utilizando seu poder ordenou que o governador Ubaydullah ibn Ziyad ocupasse Cufa e reprimisse os manifestantes. Diante da violência iminente e de promessas de recompensa financeira, os chefes das comunidades da cidade cederam à pressão e abandonaram a aliança com Hussein.

Cercado na planície de Karbala pelas tropas de Ubaydullah ibn Ziyad, o pequeno grupo de Hussein enfrentou a pressão do califa Yazid, que buscava um juramento de lealdade para legitimar a dinastia Omíada. Conforme a historiografia xiita clássica, o grupo foi impedido de seguir para Cufa e precisou montar acampamento no deserto. Por nove dias, os soldados de Yazid cortaram o suprimento de água que vinha do rio Eufrates, usando a sede como arma para tentar arrancar um acordo de legitimação política. Hussein, contudo, recusou-se a ceder. No décimo dia de cerco, após violentos ataques, seus companheiros foram mortos e o próprio Hussein foi brutalmente martirizado e decapitado, tendo sua cabeça enviada a Damasco como troféu para Yazid. Os sobreviventes, em sua maioria mulheres e crianças, passaram por torturas psicológicas antes de serem liberados para voltar a Medina.

O martírio de Hussein e seus companheiros, ocorrido em 680 d.C. na planície do deserto de Karbala (atual Iraque), foi um importante marco ponto de inflexão na história islâmica no sentido de desenhar a doutrina religiosa-política e a identidade xiita, fato que evidenciou as diferenças, inicialmente políticas – relacionadas às crises de sucessão do Califado muçulmano desde a morte do Profeta Maomé –, entre sunitas e xiitas.

A Narrativa de Karbala historicamente serviu como fonte central para o desenvolvimento dos símbolos e rituais xiitas e que o núcleo central da narrativa – que reúne elementos básicos da narrativa e ações de Hussein e seus seguidores, com ênfase nas qualidades morais do Imam (lealdade, coragem, honra) e sua disponibilidade de ser martirizado – tinha um significado tido como universal e estático ao se referir a ideais como a da busca da justiça, da verdade e da religiosidade, mas que apresentou a capacidade de se moldar, sobretudo seus símbolos, para abarcar as especificidades do contexto social e político em que sua leitura era feita por parte de clérigos ou líderes de movimentos que buscavam inspiração ou até mesmo justificativas para suas ações político-religiosas (Aghaie, 2001).

Como argumentou Momen (1985), o aparente paradoxo entre a passividade política e a ênfase no sofrimento versus uma atitude ativista, que não aceita submeter-se à tirania e decide lutar contra tal força mesmo que a referida ação traga a certeza do martírio, na realidade trouxe aos xiitas a possibilidade de uma justificativa religiosa para uma extraordinária versatilidade política, ou seja, como ambas as atitudes são igualmente desejadas e recomendadas, foi  possível para àqueles que desejaram liderar as massas xiitas encontrar inspiração e racionalização para suas atitudes em ambos os modelos.

A narrativa dos eventos ocorridos em Karbala foi fundamental para forjar a autoimagem e a consciência coletiva dos xiitas duodecimais (o “eu”) como um grupo oprimido que escolhe lutar ao lado de Deus em busca da justiça social. Nesse cenário, Yazid, os Omíadas e os três primeiros califas (o “outro”) foram ressignificados como símbolos da tirania, da corrupção pelo poder e das forças opostas ao bem.  

Ao longo da história a narrativa revestiu-se de um tom político e passou a integrar discursos de crítica política, social e econômica, direcionada a “inimigos” externos, tais como o imperialismo ou colonialismo, e/ou internos, materializada sob a forma de pressões investidas contra líderes locais, governantes.

O uso para fins políticos dos símbolos que compõem a Narrativa de Karbala iniciou-se no período posterior ao martírio de Hussein, ainda no século IX, quando o ritual da Ashura se expandiu no Iraque e passou a ser observado e reconhecido por líderes como uma potencial ferramenta política que poderia ser promovida ou desencorajada dependendo de seus objetivos e/ou interesses políticos (Armstrong, 2009).  

Na história mais recente do Irã, por exemplo, o Xá Reza Pahlavi proibiu as encenações do martírio de Hussein durante comemorações da Ashura por considerá-las “primitivas”, ação essa que colaborou de maneira efetiva para o aumento da insatisfação de grande parte da população xiita com relação ao Xá.

Posteriormente, o  ritual da Ashura se tornou um elemento-chave da mobilização política de diversas parcelas da sociedade iraniana e encerrou a dinastia Pahlavi, em um movimento capitaneado pelo clérigo xiita Ruhollah Khomeini (que exilado por 14 anos no Iraque teve contato com alguns dos clérigos que seriam responsáveis pelo processo de reavivamento do xiismo, tais como Sayyid M. H. Fadlallah, que no Líbano passou a ser visto como importante fonte teológica e guia para os movimentos que buscavam organizar as comunidades xiitas em torno de demandas comuns).

Na Guerra Irã-Iraque o uso da narrativa de Karbala também foi essencial para o processo de legitimidade social e religiosa da atuação dos combatentes, visto que a figura do Imam Hussein surgiu nesse momento como uma inspiração para os voluntários e/ou soldados iranianos e suas famílias, tendo em vista que a ênfase era conferida à coragem do Imam, e, além disso, existia a crença de que aquele estaria presente no campo de batalha para “assistir os soldados e prover a eles o apoio espiritual para que possam fazer seu sacrifício”.

Algumas das batalhas foram nomeadas Karbala1, Karbala 2, e assim por diante; aqui a relação entre aqueles que iam ao front (ou enviados pelo exército iraniano ou voluntariaram-se) e o Senhor dos Mártires (Sayyid al-Shuhada, o Imam Hussein) foi insistentemente apresentada por líderes religiosos como forma de alcançar a vitória em mais um embate contra a opressão e a tirania, sendo que ao longo da Guerra Irã-Iraque esta última foi representada pela ação de agressão iniciada pelas tropas de Saddam Hussein ao território iraniano.

 

Reconfiguração do martírio no século XXI: a lógica de Karbala no Irã e no Líbano nos últimos anos

            Os conflitos recentes no Irã e no Líbano demonstraram como o recurso à narrativa de martírio presente na história do xiismo continua atual como forma de indicar que a morte do líder se insere na histórica batalha do islã contra a injustiça e a opressão.

O primeiro semestre de 2026 impôs ao regime de Teerã pressões significativas: o sufocamento econômico (relacionado às novas sanções econômicas internacionais), as manifestações locais contra o regime, e sobretudo, o impacto psicológico de ataques cibernéticos e “cirúrgicos”  contra suas estruturas estratégicas e lideranças de alto escalão, ambos realizados realizados pelos EUA e aliados no Oriente Médio.

A morte do Líder Supremo Ali Khamenei em fevereiro de 2026 demonstrou tal fato, visto que neste contexto o “papel” de opressor recaiu sob os Estados Unidos e seu aliado mais direto na região, Israel, enquanto que a ação de contestação contra a injustiça e ingerência externa no país ficou a cargo de Khamenei. Aqui as figuras presentes na narrativa de Karbala - Hussein e o Califa Yazid - retornaram com seus paralelos para outro embate e é justamente nessa intersecção entre política e religião que o novo governo do país deve tentar buscar certa legitimidade. Outro elemento que não pode ser ignorado na equação nesse contexto foi o fato dos ataques que causaram a morte de Khamenei terem ocorrido justamente no Ramadã, mês sagrado para os muçulmanos.

As celebrações da Ashura em julho de 2026, realizadas nas cidades de Teerã e Qom, foram convertidas em uma poderosa ferramenta de coesão nacional e em um catalisador do ímpeto de neutralização de dissidências internas e a restauração da autoridade estatal, considerando o risco latente de fratura social do governo iraniano, algo que fez sentido por conta da crise aguda e desgaste material relacionados ao conflito prolongado com os EUA.

Assim, ao canalizar o descontentamento e a ansiedade da população para a liturgia do luto coletivo, o regime iraniano opera uma transmutação sociológica: as frustrações decorrentes da inflação e da sensação de insegurança militar são ressignificadas como o preço inevitável e honroso de se resistir a um cerco injusto, ou seja, em pleno ano de 2026 (e com a morte do líder supremo em fevereiro) ceder às exigências das potências ocidentais ou recuar diante das ameaças militares equivaleria a jurar lealdade a Yazid. A recusa histórica de Hussein em se curvar, mesmo sabendo que isso resultaria em sua aniquilação física, é utilizada para legitimar a recusa do Irã em paralisar seus programas estratégicos ou sua influência política por meio da rede de alianças regionais. E é nesse contexto que a liderança iraniana espera que a coesão social seja reestabelecida.

Além de todo o simbolismo que a as celebrações da Ashura evocam anualmente aos xiitas iranianos, as cerimônias deste ano foram sucedidas por outro evento de extrema importância: o funeral do Líder Supremo Ali Khamenei e dos membros de sua família que também foram vitimizados nos ataques realizados no final de fevereiro de 2026.

Já no Líbano, as cerimônias da Ashura têm ganhado relevância significante, principalmente desde 2025, quando elas foram realizadas nas em Nabatiyya e adjacências em meio aos escombros de construções históricas que foram destruídas pela por ataques das forças de defesa de Israel e, além disso, comunidades e bairros xiitas relacionados ao Hezbollah em Beirute e arredores também decidiram sair às ruas em memória do líder Hassan Nasrallah e dos demais mortos nas ações de Israel.

As cerimônias de 2025 não foram as primeiras utilizadas pelo Hezbollah com o intuito de mobilização social e política, explico. Os conceitos de martírio e jihad,tal qual interpretados pelos clérigos que serviam como uma espécie de inspiração ideológica ao Hezbollah, como Musa al-Sadr, Sayyid Muhammad Husayn Fadllah, foram apropriados pelo recém-criado movimento islâmico xiita sob a perspectiva da retórica da resistência a agressão e invasão externa (tropas de Israel no Sul do Líbano), ou seja, integravam o núcleo discursivo que uniu parcelas da comunidade xiita libanesa e seus clérigos em torno de um movimento político-religioso cujas “denominadas atividades de resistência” eram uma prioridade inegociável de acordo com seus membros-fundadores.

A partir de 1983, conforme apresentam Kramer(1997) e Norton (2005), discursos de figuras como o Ayatollah Muhammad Husayn Fadlallah que transitavam com eficácia entre o passado histórico (principalmente a Narrativa de Karbala) e os conflitos do presente, sobretudo a percepção de opressão e injustiça decorrentes da ocupação do Sul por parte das forças de defesa de Israel, passaram a ser comuns na Ashura.

Dessa forma, os rituais da Ashura no Líbano passaram a ser observados pelo partido islâmico Hezbollah como “veículos” ideais para propagar os objetivos e identidade do partido com a população que vivia na região Sul do Líbano; o ideal da resistência – parte fundamental da identidade libanesa e islâmica do partido – era propagado por meio de inflamados discursos do secretário-geral, Sayyid Hassan Nasrallah.  A narrativa, em um tom de crítica política, visava mobilizar a população (inicialmente as comunidades xiitas imersas em um histórico de marginalização política) em torno do objetivo de resistir à ingerência das tropas israelenses do território Sul do Líbano e, posteriormente, expulsá-las do referido território (Deeb, 2005; Norton, 2005).

 

Toda terra é Karbala e todo dia é Ashura....a narrativa continua

 

As celebrações da Ashura em julho de 2026 deixam claro que qualquer tentativa de compreender as dinâmicas do Oriente Médio sob uma lente estritamente materialista (do ponto de vista do poder) e ocidental está fadada ao erro de cálculo estratégico.

A infraestrutura ideológica que sustenta o Eixo da Resistência não apenas sobreviveu às recentes campanhas militares dos EUA e de Israel, como saiu simbolicamente revigorada. A devastação urbana observada no Líbano e o sufocamento estratégico imposto ao Irã não resultaram no colapso político esperado por seus adversários; em vez disso, foram processados, digeridos e ressignificados por meio de uma linguagem litúrgica milenar que transforma a perda física em triunfo moral.

O erro analítico das potências ocidentais reside na incompreensão de que a cultura política moldada pela narrativa de Karbala opera em ciclos de longo prazo, ou seja, nesse sentido um revés imediato é visto como mera etapa de um processo transcendental de redenção e justiça. Ao utilizarem tal narrativa para traduzir os bombardeios e as privações de 2026 (mas também aquelas que têm ocorrido nos últimos dois anos) tanto o Hezbollah em Beirute quanto o regime teocrático em Teerã conseguiram canalizar as frustrações coletivas e garantir uma coesão social, explico. O trauma coletivo decorrente da perda de vidas e da destruição de infraestruturas vitais foi rapidamente nacionalizado e sacralizado, convertendo o descontentamento civil em um imperativo existencial de sobrevivência e rebeldia diante de novos “Yazids”.

A “instrumentalização” da Ashura em 2026 expõe a urgência de reposicionar a cultura e a identidade como variáveis centrais, e não periféricas, nas discussões sobre teorias das Relações Internacionais, ou seja, é necessário afastar de forma categórica as análises reducionistas que, sob o manto de um racionalismo de matriz ocidental, rotulam a disposição ao sacrifício e o fervor religioso no Oriente Médio como “irracionalidade” ou mero fanatismo.

Para atores moldados pelo xiismo político, tais como o Irã, o Hezbollah e as comunidades xiitas no Levante, a preservação da dignidade existencial e a recusa à submissão — expressas no Paradigma de Karbala — constituem decisões estratégicas perfeitamente coerentes e lógicas de sobrevivência a longo prazo. Ignorar essa gramática cultural e insistir em prever o comportamento de nações inteiras apenas por meio de incentivos econômicos ou coerção militar não é apenas um erro analítico de Relações Internacionais; é a garantia de que as potências globais continuarão cegas aos verdadeiros motores de resiliência e resistência que moldam o destino da região.

 

Referências

AGHAIE, Kamran Scot. The Karbala Narrative: Shi’i Political Discourse in Modern Iran in the 1960’s and 1970’s. Journal of Islamic Studies, v. 12, n. 2, p. 151-176, 2001.

ARMSTRONG, Karen. Em nome de Deus: o fundamentalismo no judaísmo, no cristianismo e no islamismo. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.

DEEB, Lara. Living Ashura in Lebanon: Mourning Transformed to Sacrifice. Comparative Studies of South Asia, Africa and the Middle East, v. 25, n. 1, p. 122-137, 2005.

KRAMER, Martin. The Oracle of Hizbullah: Sayyid Muhammad Fadlallah. In: APPLEBY, R. Scoot (ed.). Spokesmen for the Despised: Funtamentalist Leaders in the Middle East. Chicago: University of Chicago Press, 1997. p. 83-110

MOMEN,Moojan. An Introduction to Shi’i Islam: the history and doctrines of twelver shi’ism. New Haven; London: Yale University Press, 1985.

NORTON, Augustus Richard. Ritual, Blood and Shite Identity: Ashura in Nabatiyya, Lebanon. The Drama Review (TDR), v. 49, n. 4, p. 140-155, 2005.


 

 

Flávia Abud Luz

Professora de Relações Internacionais. Doutora em Ciências Humanas e Sociais pela UFABC. Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Esp. em Política e Relações Internacionais pela FESPSP e Bacharel em Relações Internacionais pela FAAP. Áreas de interesse: Teorias pós-coloniais, Relações Sociais de Gênero, Direitos Humanos e Movimentos de Mulheres, Conflitos Internacionais, Política e Religião, especialmente temas relacionados ao Oriente Médio (sub-áreas Levante e Golfo Pérsico); política doméstica libanesa.  Autora dos livros " Feminismo Islâmico, Movimentos Sociais e a Reconstrução dos Direitos das Mulheres no Marrocos (Editora Appris, 2025)" e "A apropriação dos conceitos de martírio e jihad pelo Hezbollah e a questão da violência como resistência (Editora Appris, 2020)". Atualmente desenvolve pesquisa acerca das relações entre gênero, religião e Relações Internacionais. Integrante dos grupos de pesquisa Ylê-Educare: Educação e Questões Étnico-Raciais (PPGE/Uninove); Gina - Grupo de Pesquisa em Gênero, Raça e Interseccionalidades; Direito à Educação, Direitos Humanos e Políticas Públicas (UNIAN/SP); Grupo de Estudos e Pesquisa em Movimentos, Interseccionalidade e Políticas Educacionais na América Latina - GEMINAL (Univas/MG). É filiada à Associação Brasileira de Relações Internacionais (ABRI).

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