A Hegemonia em Crise: A Insatisfação dos Estados Unidos face à Ascensão da China
- CERES

- há 4 dias
- 3 min de leitura
Jaime Antonio Saia, Moçambique
Introdução
O sistema internacional encontra-se, na actualidade, num período de transformação estrutural caracterizado pela redistribuição do poder entre grandes potências.
Desde o fim da Guerra Fria, os Estados Unidos assumiram uma posição de hegemonia incontestada, consolidando uma ordem internacional liberal baseada na promoção do livre mercado, da democracia e de instituições multilaterais. Contudo, nas últimas décadas, a ascensão acelerada da China tem vindo a alterar significativamente este equilíbrio, gerando tensões crescentes no sistema internacional.
A insatisfação dos Estados Unidos face à emergência da China não pode ser entendida apenas como uma reacção política circunstancial, mas sim como uma manifestação de dinâmicas estruturais inerentes à política internacional.
De acordo com a teoria da transição de poder, quando uma potência emergente se aproxima do nível de poder de uma potência dominante, tende a surgir um aumento da rivalidade e da instabilidade (Organski, 1958). Por sua vez, o realismo ofensivo sustenta que os Estados procuram maximizar o seu poder relativo como forma de garantir a sua sobrevivência num sistema internacional anárquico (Mearsheimer, 2001).
Neste contexto, o presente trabalho analisa as causas, manifestações e implicações da insatisfação dos Estados Unidos face à ascensão da China, procurando compreender de que forma esta rivalidade influencia a configuração da ordem internacional contemporânea.
Desenvolvimento
A consolidação da hegemonia dos Estados Unidos
Com o colapso da União Soviética em 1991, os Estados Unidos emergiram como a única superpotência global, inaugurando o denominado “momento unipolar” (Krauthammer, 1990). Durante este período, Washington consolidou a sua influência através da expansão de instituições internacionais e alianças estratégicas.Segundo Ikenberry (2011), a ordem internacional liderada pelos Estados Unidos baseou-se em regras e instituições que permitiram a cooperação entre Estados, garantindo estabilidade e previsibilidade.
No entanto, esta hegemonia dependia também da legitimidade percebida pelos demais actores internacionais.
A ascensão da China e a reconfiguração do poder global
A ascensão da China constitui um dos fenómenos mais marcantes da política internacional contemporânea. Desde as reformas económicas iniciadas em 1978, o país registou um crescimento económico sustentado, tornando-se uma das principais economias do mundo.Para além da dimensão económica, a China tem investido significativamente na modernização das suas capacidades militares e na expansão da sua influência internacional.
De acordo com Gilpin (1981), mudanças na distribuição de poder económico tendem a traduzir-se em transformações na ordem internacional.
As causas da insatisfação dos Estados Unidos
A rivalidade económica e tecnológica intensificou-se significativamente.
Os Estados Unidos acusam a China de práticas comerciais desleais e competição estratégica em sectores-chave.No plano militar, a crescente capacidade chinesa tem gerado preocupações em Washington. Segundo Mearsheimer (2001), grandes potências tendem a competir pela hegemonia regional.No plano ideológico, existe também uma disputa entre modelos políticos distintos, onde os Estados Unidos promovem a democracia liberal, enquanto a China apresenta um modelo alternativo.
Implicações para a ordem internacional
A rivalidade entre os dois países contribui para a transição de um sistema unipolar para um sistema multipolar. Países como Moçambique enfrentam desafios e oportunidades neste contexto.
Conclusão
A insatisfação dos Estados Unidos face à ascensão da China reflecte mudanças estruturais profundas no sistema internacional. O futuro da ordem global dependerá da forma como esta rivalidade será gerida.
Referências Bibliográficas
Allison, G. (2017).
Gilpin, R. (1981).
Ikenberry, G. J. (2011).
Krauthammer, C. (1990).
Mearsheimer, J. J. (2001).
Nye, J. S. (2011).
Organski, A. F. K. (1958).
World Bank (2022).

Jaime Antonio Saia
Licenciado em Relações internacionais e Diplomacia pela Universidade Joaquim Chissano (Maputo, Moçambique) Mestrando em Resolução de Conflictos e Mediação. Analista de política internacional na TVM ( Televisão de Moçambique), Soico TV (STV), na Média Mais TV, além de colunista da Revista Zambeze. Pesquisador do CERES (Centro de Estudos das Relações Internacionais) e palestrante em áreas sociais e políticas em Moçambique.
Autor do livro As Relações Internacionais desde Moçambique.





Comentários